O desafio de governar SP

João Doria (PSDB) terá o desafio de manter o Estado em boas condições econômicas, mas São Paulo precisa avançar em temas como expansão do metrô e Educação

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 03h00

Ao tomar posse hoje como governador de São Paulo, João Doria (PSDB) enfrentará o enorme desafio de manter o padrão administrativo das gestões tucanas anteriores, que deixaram o Estado em boas condições econômicas – quase um oásis fiscal quando se compara com a maioria das demais unidades da Federação, que enfrentam sérias dificuldades financeiras.

Não é ordinário, portanto, o encargo de Doria. Ele governará o Estado responsável por um terço do PIB nacional, mas que só agora começa a se recobrar da recessão produzida pelo desgoverno da presidente cassada Dilma Rousseff. A recuperação aparenta firmeza, conforme os mais recentes números sobre a evolução do PIB paulista, e tudo indica que Doria terá condições de realizar os investimentos necessários para manter e ampliar a capacidade produtiva de São Paulo.

Nesse sentido, acertou ao atrair para seu Secretariado o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. A presença de Meirelles no governo paulista é garantia de que o manejo das contas públicas estaduais continuará a respeitar o princípio do equilíbrio entre receitas e despesas. A austeridade fiscal é o único caminho para o crescimento sustentável, e espera-se que o exemplo paulista, com Meirelles, seja imitado por outros Estados. A recuperação fiscal do País depende em grande medida do saneamento das contas estaduais.

Deve-se ter em mente, contudo, que a estabilidade financeira não pode ser um fim em si mesma. De nada adianta ter as contas em ordem se não houver planejamento de longo prazo para alocar adequadamente os recursos disponíveis, de modo a atender às principais demandas da sociedade e dos agentes econômicos.

A despeito da boa gestão financeira, os governos tucanos deixaram a desejar em algumas áreas, como a da expansão do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ainda muito aquém das necessidades da capital paulista. São Paulo tem menos de 100 km de metrô, ante 200 km da Cidade do México, o que dá a dimensão do atraso.

Na área de segurança pública, os indicadores de São Paulo estão entre os melhores do País, mas é fato que o governo paulista não sabe como lidar com o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que há 25 anos domina os presídios do Estado e que expandiu seus negócios para outras partes do País e também da América Latina. O PCC é hoje uma das principais ameaças à segurança dos brasileiros e, não é demais advertir, constitui risco até mesmo para as instituições democráticas. Nenhum governador de São Paulo pode dormir tranquilo, com a sensação do dever cumprido, enquanto essa organização continuar na ativa.

Também na educação os desafios para João Doria serão imensos. Apesar de ser o Estado mais rico da Federação, São Paulo não aparece nem entre os cinco melhores do 6.º ano do ensino fundamental ao 3.º ano do ensino médio, segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica. O ensino médio paulista está em 7.º lugar no País na avaliação de Português e em 11.º na de Matemática, abaixo de Rondônia e Mato Grosso do Sul. Diante desse desempenho constrangedor, o governo que deixa o poder se limitou a dizer que os resultados “evidenciam a necessidade de melhora tanto no ensino fundamental quanto no médio”. Dos administradores de São Paulo espera-se mais do que constatar o óbvio.

Não há por que duvidar da capacidade do novo governador de enfrentar os principais problemas do Estado, mas também é fato que os desafios vão demandar entrega total de João Doria e de seus secretários. Ou seja, espera-se que, uma vez no cargo, João Doria, diferentemente do que fez quando ocupou a Prefeitura de São Paulo, dedique-se em tempo integral à duríssima tarefa de governar o Estado de São Paulo, resistindo à tentação de explorar a visibilidade de sua condição para armar voos políticos e eleitorais mais altos. Para isso, ele terá tempo e ocasião. Se for bem-sucedido nessa missão, o eleitor certamente reconhecerá seu esforço.

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