O País entrou mal no período de Festas

Empresas deveriam estar empenhadas na preparação das vendas de fim de ano, mas negócios ficaram mais emperrados

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2021 | 03h00

Depois de seis meses de estagnação, a economia brasileira entrou mal no último trimestre do ano. Indústria, varejo e serviços caíram de novo em outubro, num ambiente de inflação elevada, juros em alta e amplo desemprego. Em mais um recuo mensal, desta vez de 0,4%, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) sintetiza o estado precário dos negócios. Pela tradição, mais produção e mais empregos compõem o quadro de agosto a novembro, tempo de preparação das empresas para as Festas. Neste ano a história é diferente, e mais uma vez o Brasil do ministro Paulo Guedes e do presidente Jair Bolsonaro se desvia dos padrões considerados normais.

Três tombos marcaram o mês de outubro. A indústria produziu 0,6% menos que em setembro, as vendas do varejo foram 0,1% menores e o volume de serviços caiu 1,2%. Os três indicadores ficaram abaixo do patamar pré-pandemia, correspondente a fevereiro de 2020. Também o indicador do BC regrediu à fase anterior à covid-19. Em outubro o IBC-Br foi 1,48% menor que o de um ano antes e 1,89% inferior ao de fevereiro do ano passado.

No acumulado do ano, o índice do BC superou por 4,99% o de janeiro a outubro do ano passado. Em 12 meses cresceu 4,19% sobre o período imediatamente anterior. O resultado deste ano deve ser suficiente para tirar o País do buraco onde afundou em 2020, quando o PIB diminuiu 4,1%. Mas isso apenas levará o Brasil de volta ao nível de 2019, talvez com um ganho insignificante. A economia brasileira retorna, portanto, ao patamar do primeiro ano do governo Bolsonaro e – pior que isso – sem ter conquistado maior dinamismo. Ao contrário: segundo a mediana das projeções do mercado, o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá apenas 0,50% em 2022 e 1,90% no ano seguinte.

A única reforma importante realizada a partir de 2019 foi a da Previdência, deixada quase pronta pelo presidente Michel Temer. A mudança administrativa proposta no atual mandato é pouco mais que uma reforma do RH. Na área dos tributos, as mudanças defendidas pelo ministro da Economia têm ficado entre a mediocridade e o desastre. A obra-prima foi a tentativa de ressuscitar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), uma reconhecida aberração.

Em menos de um mês o presidente Bolsonaro completará três anos de mandato. Poderá apresentar, no balanço desse período, uma economia estagnada, com desemprego e inflação muito acima dos níveis observados no mundo rico e nos países emergentes. A indústria, em retrocesso desde o fim da fase petista, estará em piores condições do que em 2019. Nenhum plano de revitalização econômica foi apresentado até hoje, nem há razão para prever um estilo de trabalho, em 2022, mais compatível com as funções de governo.

O IBC-Br serve aos analistas como prévia mensal do PIB, divulgado a cada três meses pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É importante principalmente como sinalizador de tendência. Os últimos números confirmam, sem surpresa, os efeitos de um prolongado desgoverno. 

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