O plano de inclusão da USP

Números do plano de inclusão da USP mostram os bons resultados da iniciativa

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 03h00

Depois de ter adotado em 2018 um programa de inclusão social e racial distinto da política de cotas implementada por outras instituições brasileiras de ensino superior, a Universidade de São Paulo (USP) vem colhendo os dividendos dessa iniciativa, como revelam os últimos números da Pró-Reitoria de Graduação sobre o perfil socioeconômico de seu corpo discente computados após o vestibular deste ano. Esse programa foi formulado com o objetivo de preservar o princípio do mérito como requisito fundamental de seu processo seletivo. 

Em 2021, 51,7% dos estudantes que se matricularam nos cursos de graduação da USP vieram de escolas públicas. Em 2020, a taxa foi de 47,8%. Com isso, a USP alcançou o objetivo estabelecido em 2018 de ter, dentro de quatro anos, mais alunos oriundos de escolas públicas de ensino básico do que de escolas particulares. O plano escalonado de inclusão social aprovado pelo Conselho Universitário previa, para o vestibular de 2018, uma reserva de 37% das vagas por curso e turno de cada unidade de ensino para alunos vindos de escolas públicas e não brancos. Em 2019, a reserva foi de 40% e, em 2020, de 45%. 

Pelo programa adotado, ao escolher sua carreira e seu curso os candidatos têm três opções na inscrição do vestibular: Ampla Concorrência (AC), Ação Afirmativa Escola Pública (EP) e Ação Afirmativa Preto, Pardo e Indígena (PPI). Em 2021, dos 51,7% de alunos matriculados oriundos de escolas públicas, 44,1% se autodeclararam pretos, pardos e indígenas. Esse porcentual equivale à proporção desses grupos no Estado de São Paulo, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em termos absolutos, das 10.992 vagas oferecidas pela USP, neste ano, 5.678 foram preenchidas por alunos que estudaram na rede pública de ensino básico – e, desse total, 2.504 são PPI. A unidade com o maior número de ingressantes vindos de escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas foi a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto, com 56,7% do total de matriculados em seus cursos. Em segundo lugar vem a Faculdade de Educação, com 51,5%, seguida pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades, também chamada de USP Leste, com 51%, e pelo Instituto de Ciências Biomédicas e o Instituto Oceanográfico, com 41,1%. Nos cursos mais antigos e tradicionais, a porcentagem foi de 41,1% na Faculdade de Medicina; de 41,5%, na Escola Politécnica; e de 49,3%, na Faculdade de Direito. 

Graças a esse plano, o perfil socioeconômico dos alunos da maior e mais importante universidade do País, até então considerada uma instituição para os filhos da alta burguesia e da classe média alta, vem mudando significativamente. Em 2021, por exemplo, 49,4% dos calouros têm uma renda familiar bruta entre um e cinco salários mínimos e 54,6% têm renda acima de cinco salários mínimos. Em 2019, esses índices foram de 47,5% e de 55%, respectivamente. Além disso, o número de calouros com renda familiar de até um salário mínimo (R$ 1.100) passou de 2,9%, em 2020, para 4,6%, neste ano.

Para enfrentar o crescente aumento do número de alunos ingressantes com necessidades econômicas e afastar o risco de elevação da taxa de evasão escolar, a USP também vem ampliando os gastos com a Política de Apoio à Formação e Permanência Estudantil. Ela oferece auxílio para moradia, alimentação, manutenção e transporte, além de bolsas concedidas com base em critérios socioeconômicos, para que os alunos se mantenham durante a graduação. Em 2021, essa política consumiu R$ 250 milhões – cerca de 6,7% a mais do que no ano passado. 

Desde que as políticas de ação afirmativa passaram a ser adotadas pelas universidades públicas brasileiras, a partir da década de 2000, a USP sempre tomou cuidado em manter o nível de qualidade de ensino e impedir o crescimento da taxa de evasão, não confundindo assim o sistema de cotas com assistencialismo. Como já foi registrado nos três anos anteriores, os números de 2021 deixam claro que ela continua no caminho certo. 

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