O PT e a pobreza extrema

O último governo lulopetista deixou legado de profunda crise econômica e degradação de indicadores sociais

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2019 | 03h00

Os 4,5 milhões de brasileiros incorporados à população que vive em situação de extrema pobreza entre 2014 e 2018 compõem o resultado social mais dramático do desastre político, econômico e administrativo que foi o governo da presidente Dilma Rousseff, em boa hora afastada do cargo pelo Congresso em agosto de 2016. O último governo lulopetista fez o Brasil piorar muito, pois seu legado foi uma profunda crise econômica, que vai sendo superada lentamente, e a degradação de alguns dos principais indicadores sociais, sobretudo os que se referem a emprego e renda. Entre 2014 – último ano do primeiro mandato de Dilma, quando começa a crise – e 2018, o número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza passou de 45,817 milhões para 52,523 milhões. Os números mostram também a falácia das chamadas políticas sociais dos governos petistas, anunciadas como responsáveis pelo fim da pobreza no País, mas cujos efeitos, quando detectados, se mostraram efêmeros, pois sempre faltou base de sustentação a essas políticas, a começar pela preparação adequada dos beneficiados para seu desenvolvimento pessoal.

Síntese de Indicadores Sociais – Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é um retrato preciso das condições em que vivem os brasileiros. Sua série histórica, a partir de 2012, é também um atestado da irresponsabilidade com que os governos do PT manipularam os principais indicadores sociais. Houve, de fato, alguma melhora nesses indicadores nos primeiros anos do primeiro mandato de Dilma, como a redução porcentual e em números absolutos da população extremamente pobre e dos brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza. Mas o resultado final é assustador.

A pesquisa do IBGE utiliza o critério do Banco Mundial para a classificação de pobreza extrema, que são as pessoas com rendimento inferior a US$ 1,90 por dia, o que correspondia, no ano passado, a R$ 145,00 mensais. O número de pessoas vivendo na situação de pobreza extrema, de 13,537 milhões no ano passado, é o maior de toda a série do IBGE. Esse número supera a população da Bolívia. A pequena melhora que se observa há algum tempo no mercado de trabalho não está alcançando essa população. “A extrema pobreza cresce”, observou o gerente da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, André Simões.

A proporção de brasileiros abaixo da linha de pobreza – com renda mensal de aproximadamente R$ 440,00, pouco mais de 44% do salário mínimo em vigor no ano passado – parou de crescer em 2018: correspondia a 25,3% da população, índice um pouco inferior ao observado em 2017 (26,0%). Mas ainda é muito alto e preocupante, pois corresponde a 52,5 milhões de pessoas, 6,7 milhões mais do que em 2014.

Outros indicadores também mostram a deterioração do quadro econômico e social do País nos últimos anos. Entre 2015 e 2018, o PIB per capita acumulou redução de 7,8% e o consumo das famílias, de 3,8%. Entre 2012 e 2014, esses indicadores haviam crescido 2,8% e 9,6% respectivamente.

O pior período para esses indicadores ocorreu entre 2015 e 2016, quando os recuos foram tão fortes que nem a recuperação observada nos dois anos seguintes foi suficiente para compensá-los. Não por coincidência, esses são os anos em que o País assistiu ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O impacto da crise que marcou os dois últimos anos da gestão lulopetista foi intenso sobre o mercado de trabalho. Esse impacto não está evidente no número de trabalhadores ocupados ou na taxa de desocupação, mas na qualidade do trabalho. Foram eliminados muitos empregos de melhor qualidade, no mercado formal e em boa parte da indústria, e aumentou o número de trabalhadores no mercado informal. O número recorde de trabalhadores domésticos observado em 2018, 6,24 milhões de pessoas, é um reflexo dessa mudança. Outra consequência é a interrupção da trajetória ascendente da renda do trabalhador. Entre 2014 e 2018, ela caiu 2,5%.

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