O ranking das universidades jovens

Das universidades brasileiras, destacam-se duas públicas, a Unesp e a Federal do ABC

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 03h00

Entre os estudos comparativos da qualidade do ensino superior, merece destaque o Nature Index Young Universities, que avaliou 175 universidades criadas há menos de 50 anos e que fogem do modelo tradicional. Em vez de atuar em todas as áreas do conhecimento, elas se concentram apenas em algumas, valorizando o enfoque interdisciplinar. E, por contarem com burocracias enxutas e flexibilidade administrativa, são criativas e têm alta capacidade de inovação.

A iniciativa é inédita e usou como parâmetro a produção científica dessas instituições publicadas em 82 revistas mundialmente conceituadas nos campos da física, química, ciências da vida e ciências ambientais e da terra. “Muitas dessas universidades novas promovem pensamento criativo e oferecem oportunidades de liderança para jovens pesquisadores. Elas atraem uma população estudantil diversificada e incentivam a busca de pesquisas não convencionais”, afirma o responsável pelo levantamento, o biólogo australiano David Swinbanks.

Ao contrário das pesquisas comparadas da Times Higher Education, que avaliam as grandes universidades levando em conta reputação mundial e empregabilidade de egressos, entre outros itens, no Nature Index Young Universities nenhuma instituição dos Estados Unidos – país que domina os rankings mundiais – ficou na liderança. As dez primeiras colocações foram ocupadas por três universidades chinesas, três sul-coreanas, uma de Cingapura, uma da Suíça, uma da Arábia Saudita e uma da França. Das instituições brasileiras, destacaram-se duas universidades públicas. Uma delas é a Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Ela ficou na 60.ª posição e foi a instituição latino-americana mais bem avaliada, principalmente pelo desempenho dos pesquisadores do Instituto de Física Teórica, com alto número de publicações no exterior. A outra instituição foi a Universidade Federal do ABC (UFABC), que ficou na 69.ª colocação, tendo também na área de física seu ponto forte.

Os resultados desse levantamento comparativo deixam algumas lições importantes. O alto número de universidades asiáticas bem classificadas mostra o impacto dos investimentos feitos nas últimas décadas pelos países da região. Eles valorizaram, basicamente, as áreas capazes de propiciar o desenvolvimento econômico nas áreas de ciência, tecnologia e inteligência. Com 45 mil estudantes, a melhor colocada no ranking, a Universidade da Academia Chinesa de Ciências, com sede em Beijing, foi especialmente concebida para atuar como catalisadora do ensino de 114 institutos de pesquisa de ciências e engenharias. Com apenas 15 mil alunos, outra instituição chinesa bem classificada – a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong – tem o currículo e suas atividades docentes e de pesquisa quase inteiramente em inglês.

Das universidades coreanas, a melhor colocada foi o Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia, criado em 1971 sob a liderança de Frederick Terman, ex-dirigente da Universidade Stanford e um dos criadores do parque tecnológico do Vale do Silício, nos Estados Unidos. Outra universidade coreana, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da cidade de Ulsan, capital industrial da Coreia do Sul, oferece cursos em inglês com foco em materiais e energia. Seu maior objetivo é estar, em 2030, entre as dez melhores universidades no ranking tradicional da Times Higher Education. Entre as universidades europeias, a Alemanha teve 11 instituições classificadas entre as cem melhores do Nature Index Young Universities.

A pesquisa tem de ser lida com atenção pelas autoridades educacionais brasileiras, para que o País não repita erros cometidos nas últimas décadas. Entre 2002 e 2005, foram criadas nove universidades federais e, nos anos mais recentes, outras nove – quase todas nos moldes das instituições tradicionais. Uma das exceções foi a UFABC, que adotou um modelo inovador, dividindo-se em três centros interdisciplinares e não em departamentos. Foi isso que a levou a se destacar na pesquisa.

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