Os critérios de avaliação da USP

Universidade de São Paulo mostra o impacto de sua atuação na vida brasileira

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2020 | 03h00

Como avaliar o impacto de uma universidade pública na vida de uma sociedade? Neste momento em que, no mundo inteiro, as universidades públicas estão recebendo dos governos mais recursos para ampliar suas pesquisas, por causa da pandemia, e no Brasil elas têm sofrido cortes orçamentários, a Universidade de São Paulo (USP) acaba de responder a essa pergunta por meio de uma importante iniciativa. Trata-se do Projeto Métrica, coordenado pelo professor Jacques Marcovitch, ex-diretor da Faculdade de Economia e Administração e ex-reitor. 

Criado em 2018, o projeto questiona os critérios comparativos de qualidade usados na elaboração de rankings internacionais e cria indicadores que permitem avaliar melhor a atuação das universidades dos países em desenvolvimento. Segundo Marcovitch, os rankings comparativos costumam fazer análises a partir de critérios ligados basicamente à produção científica e ao mérito acadêmico, dando peso excessivo às citações de artigos em revistas científicas mundiais.

Contudo, diz ele, uma pesquisa importante para um país pode não ser relevante para outro, como é o caso da malária. Apesar de causar a morte de milhares de pessoas pobres na América Latina, Ásia e África, as pesquisas sobre essa doença têm recebido poucos recursos, pois a maioria deles é destinada a estudos sobre fármacos voltados para doenças das regiões mais ricas. Daí a necessidade de buscar indicadores de qualidade mais refinados, capazes de detectar o que as universidades dos países em desenvolvimento estão pesquisando. 

Na USP, essa discussão se aprofundou quando a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) passou a financiar o Projeto Métrica. Os primeiros passos foram a melhoria da coleta de dados, a criação de novos padrões para analisá-los e a reformulação da área de informática, permitindo sua interação com os bancos de dados do CNPq, da Capes e da Finep. Em seguida, o projeto estabeleceu indicadores para avaliar as atividades dos Museus de Zoologia, Arte Contemporânea e Arqueologia, que exercem intensa atividade de ensino e pesquisa. Com o tempo, o Projeto Métrica melhorou a qualidade do Anuário Estatístico da USP, criou um site que permite acompanhar processos seletivos, remuneração de docentes, orçamentos, licitações e convênios. 

Encerrada a primeira etapa, o projeto definiu uma segunda geração de indicadores. O objetivo é avaliar como o retorno dos investimentos da USP em pesquisa em determinadas áreas tende a gerar para o País mais recursos do que aqueles que teriam sido criados sem o esforço da instituição. Desde então, duas consultorias especializadas na elaboração de rankings acadêmicos, a GreenMetric World University Ranking e a Times Higher Education (THE), passaram a enfatizar em suas avaliações o impacto para a sociedade das pesquisas da USP em agronomia, medicina e engenharia.

A primeira consultoria, por exemplo, começou a avaliar o tratamento dado pela USP às questões ambientais, o que levou a instituição a se classificar na 18.ª posição entre 780 universidades mundiais. A segunda deu maior peso ao modo como as universidades lidam com questões como fome, mudanças climáticas e crescimento econômico, o que levou a USP a se classificar no 14.º lugar entre 776 universidades mundiais, no Impact Ranking, da THE. Nos critérios de erradicação da pobreza, energia limpa e vida terrestre, a USP ficou entre as dez melhores do mundo. 

Com o sucesso do projeto, a USP hoje é avaliada não só com base em levantamentos tradicionais, como as citações em revistas, mas, também, por indicadores novos, que levam em conta canais online de divulgação da ciência, menções em redes sociais e downloads. Graças a esse projeto, a USP se tornou mais transparente entre a comunidade acadêmica mundial, ampliando as possibilidades de intercâmbio com instituições de ponta. 

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