Os rumos da Embrapa

Plano da empresa para a década de 20 reflete os desafios estratégicos do setor agropecuário

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 03h00

No início do mês, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou seu Plano Diretor para a década de 20. Dada a crescente relevância do agronegócio para a economia brasileira, o Plano é importante não só por definir metas quantificáveis para uma empresa pública que é a principal fonte de pesquisa, desenvolvimento e inovação agrícola no Brasil, mas também por refletir os desafios estratégicos do setor.

A Embrapa vislumbra três grandes grupos de desafios e oportunidades: aumento da qualidade e eficiência produtiva; sustentabilidade ambiental; e aspectos sociais.

Nesta perspectiva, o Plano elenca nove temas prioritários de pesquisa: agricultura digital, rastreabilidade e logística associadas aos sistemas produtivos; agregação de valor aos produtos e serviços agropecuários e agroindustriais; adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas; transformação de biomassa em energia renovável, bioprodutos e bioinsumos; desenvolvimento territorial sustentável; produtividade e sistemas de produção sustentáveis; segurança alimentar e nutricional; uso e conservação de recursos naturais; e sanidade agropecuária.

Para avançar com excelência nestas áreas, a empresa traçou um mapa estratégico composto por 11 objetivos subdivididos em 29 metas. 

Em primeiro lugar, há os objetivos finalísticos associados ao ecossistema de inovação. Isso inclui gerar soluções tecnológicas e oportunidades de inovação para promover a sustentabilidade e a competitividade, especialmente reduzindo custos e perdas dos alimentos. Também inclui ampliar e qualificar a base de dados nacional sobre recursos naturais.

Além disso, será preciso explorar novas tendências de consumo, gerando conhecimentos e tecnologias que promovam a agregação de valor a produtos, processos e serviços. Outro objetivo, decisivo para as exportações, é fortalecer a pesquisa para a segurança zoofitossanitária.

Um campo de pesquisa promissor do ponto de vista mercadológico é o da utilização de recursos biológicos para a geração de bioprodutos, bioinsumos e energia renovável. Outro, do ponto de vista social, é o de alternativas tecnológicas sustentáveis voltadas para o desenvolvimento regional e a inclusão produtiva. A meta da Embrapa é possibilitar a geração em cinco anos de 200 mil empregos pela adoção dessas tecnologias.

A empresa também pretende subsidiar os produtores e o poder público com conhecimento e tecnologia para contrapor o enfrentamento das mudanças climáticas, o que inclui aumentar os sistemas integrados de produção e recuperação de pastagens; disponibilizar sistemas de manejo sustentável de florestas naturais; e ampliar as florestas plantadas.

Um objetivo de alta relevância é o aproveitamento dos recursos digitais no campo. A automação dos processos agrícolas é capital para garantir a competitividade do setor. Isso implica promover o compartilhamento de dados entre os atores das cadeias produtivas e o uso de arquiteturas big data, assim como o desenvolvimento de algoritmos para identificar novas tendências e nichos de mercado.

Para prestar esses serviços às partes interessadas da cadeia agrícola, a Embrapa estabeleceu três objetivos de gestão e eficiência organizacional. Primeiro, a racionalização de recursos e a busca de fontes alternativas aos investimentos públicos. Concomitantemente, é necessário fortalecer a excelência na governança e gestão institucional. Finalmente, a própria empresa precisará aproveitar as oportunidades geradas pela revolução digital, estruturando a tecnologia da informação, a governança e a gestão de dados e promovendo a transferência e o uso do conhecimento digital.

A agropecuária brasileira é altamente competitiva. Ela responde por 21% da soma das riquezas nacionais, 1/5 dos empregos e 43,2% das exportações, sendo um dos maiores celeiros de alimentos para o mundo. A Embrapa segue sendo um dos principais protagonistas dessa história. Mas já foi mais. As partes interessadas, no setor público ou privado, não deveriam poupar esforços para revigorar a sua energia.

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