Parceria com o Japão

Acordo estimulará o intercâmbio com um país de grande influência e participação no desenvolvimento, produção e comércio de bens de alta tecnologia

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 03h00

O acordo comercial entre o Brasil e o Japão, que um grupo de empresários dos dois países, sobretudo do setor industrial, vem discutindo há bastante tempo, pode tornar-se viável ainda neste ano e incorporar os demais países do Mercosul. O acordo assinado pelo Mercosul com a União Europeia impulsionou o interesse dos japoneses no entendimento comercial com o bloco do Cone Sul da América do Sul e criou, especialmente no Brasil e na Argentina, um ambiente político mais favorável para que o Mercosul amplie seu comércio externo. Quando concluído, esse acordo aproximará ainda mais o Mercosul dos países industrializados, num movimento inverso ao que o bloco fazia no tempo em que seus principais membros - Brasil e Argentina - estavam submetidos a governos populistas que, com uma visão terceiro-mundista retrógrada, davam preferência a parcerias com países subdesenvolvidos. Além disso, o acordo estimulará o intercâmbio com um país de grande influência e participação no desenvolvimento, produção e comércio de bens de alta tecnologia.

Em reunião realizada em São Paulo, o Conselho Empresarial Brasil-Japão aprovou declaração na qual defende o lançamento de um acordo de parceria econômica entre os dois países. Esse conselho, formado por representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação Empresarial do Japão (Keidanren), vem tratando do acordo desde 2014 e, no ano passado, apresentou um roteiro para a discussão dos principais temas da agenda de comércio, cooperação e investimentos.

Como informou o Estado, há a expectativa de que a formalização da parceria comercial ocorra durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Tóquio, programada para outubro, quando ocorrerá a cerimônia de entronização do imperador Naruhito. Se não for nessa ocasião, o anúncio da parceria poderá ocorrer em novembro, se o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, aceitar o convite para visitar o Brasil naquele mês.

A declaração da CNI e da Keidanren lembra o enorme potencial para a ampliação da cooperação econômica e industrial entre Brasil e Japão. Um acordo que torne mais fluido o comércio de bens e serviços entre os dois países terá efeitos benéficos para os dois lados, e também para todo o Mercosul.

“Os setores produtivos entendem que é o momento para se iniciar as negociações entre o Brasil e o Japão”, avalia o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi. Takao Omae, representante da parte japonesa na comissão empresarial, diz que o empresariado de seu país está disposto a defender, no governo de Tóquio, as negociações com o Mercosul.

Até há alguns anos, o Brasil era o principal destino dos investimentos japoneses na América Latina. Hoje a posição é ocupada pelo México. Mesmo assim, o Japão é o sexto maior investidor no Brasil.

Quanto ao comércio exterior, o Japão esteve durante anos entre os cinco principais destinos de produtos brasileiros, mas hoje está na oitava posição, de acordo com dados dos seis primeiros meses deste ano. As exportações brasileiras para o Japão já estiveram perto de US$ 10 bilhões por ano, mas vêm declinando desde 2011. Nos primeiros seis meses de 2019, elas somaram US$ 2,16 bilhões. Da mesma forma, as importações de produtos japoneses pelo Brasil estão em queda desde o início da década, quando alcançaram cerca de US$ 8 bilhões. Nos primeiros seis meses deste ano, o total foi de US$ 1,98 bilhão. São números que dão a dimensão de quanto se pode avançar nas relações comerciais caso o acordo seja concluído.

Há, além do interesse econômico e financeiro que obviamente baliza as negociações de acordos desse tipo, aspectos sociais que estimulam o estreitamento das relações entre Brasil e Japão. A comunidade brasileira no Japão é a terceira maior no exterior, com cerca de 200 mil pessoas. A chamada comunidade nikkei, de japoneses e seus descendentes que vivem no Brasil, é de cerca de 2 milhões de pessoas, a maior população de origem nipônica fora do Japão.

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