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Perdendo o ritmo

FGV confirma perda de impulso da economia depois da forte reação inicial

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 03h00

Criar condições para a economia crescer em 2021 é uma das principais tarefas do governo, neste momento, e a passagem para o próximo ano poderá ser mais complicada do que se esperava há um ou dois meses. Depois da forte reação inicial ao desastre de março-abril, a recuperação tem perdido impulso. O balanço geral do terceiro trimestre, com expansão de 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda mostrou uma forte retomada, mas os dados mensais já indicavam uma acomodação. A perda de vigor ficou ainda mais clara no começo do trimestre final. Em outubro, o crescimento mensal ficou em apenas 0,6%, a menor taxa depois de abril, segundo o Monitor do PIB publicado na quarta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Dois dias antes o Banco Central havia apresentado seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br). A estimativa de 0,86% de avanço mensal em outubro já apontou uma desaceleração, mas o cálculo da FGV mostrou um quadro ainda menos positivo. Mais detalhado, o Monitor tem sido, com frequência, a melhor antecipação dos valores oficiais do PIB, divulgados a cada trimestre pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado mensal da FGV foi 2,7% inferior ao de um ano antes. No trimestre móvel terminado em outubro o PIB foi 6,4% maior que no período de julho a setembro e 3,1% menor que o do período correspondente de 2019.

O menor vigor também é visível quando se decompõe o conjunto do PIB. Só 6 das 12 atividades componentes tiveram variação positiva em relação a setembro e também na comparação interanual, como ressaltou o coordenador dessa pesquisa, o economista Claudio Considera.

A desaceleração já havia sido indicada pelos dados setoriais publicados mensalmente pelo IBGE. Em outubro a produção industrial foi só 1,1% maior que em setembro. Foi a menor taxa desde o começo da recuperação, em maio. A maior, de 9,6%, foi a de junho. A partir daí o ritmo da retomada diminuiu mês a mês, tendo chegado a 2,8% em setembro.

Também a perda de fôlego do varejo havia sido apontada pelo IBGE, com a taxa de crescimento caindo seguidamente desde a taxa de 12,2% em maio. A menor, de 0,5%, ocorreu em setembro, e houve um repique em outubro (0,9%). Falta verificar se terá prevalecido um ritmo mais forte nos dois meses finais do ano, mas as condições financeiras das famílias tornam improvável uma nova fase de animação do consumo.

O pior cenário continua sendo o dos serviços, ainda abaixo, em outubro, do nível de atividade anterior à pandemia. O setor despencou 19,8% no período de fevereiro a maio e depois disso acumulou crescimento de apenas 15,8%.

O consumo das famílias no trimestre móvel findo em outubro ficou 4,4% abaixo do nível de um ano antes, de acordo com o Monitor. A maior queda, de 6,2%, ocorreu no consumo de serviços. O melhor resultado apareceu nas compras de bens não duráveis, com alta de 1,4% na comparação interanual.

No mesmo tipo de confronto, a exportação de bens e serviços no trimestre móvel terminado em outubro foi 6,5% menor que um ano antes. Só as vendas externas de bens de consumo apresentaram variação positiva, com expansão de 21,1%. A importação geral foi 23% inferior à de agosto-outubro de 2019. O núcleo das contas externas continuou sólido, portanto, e assim provavelmente seguirá no próximo ano, embora com saldo mais modesto.

A reação econômica a partir de maio dependeu essencialmente do mercado interno, animado pelo consumo familiar. Mas dezenas de milhões de famílias tiveram menos dinheiro para gastar no quarto trimestre, por causa da redução do auxílio emergencial a partir de setembro. Além disso, o desemprego permaneceu muito alto, prejudicando os ganhos e a segurança dos consumidores.

A inflação mais acentuada, outro importante fator negativo, diminuiu o poder de compra da maior parte das famílias. A alta do custo da alimentação afetou mais duramente os mais pobres, limitando mais severamente os tipos de bens e serviços consumidos. As condições de consumo são um dos principais fatores de incerteza em relação a 2021.

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