Persistência no erro petista

Nos anos em que o PT esteve no governo federal, adotou-se, com enorme prejuízo para o País, a chamada diplomacia Sul-Sul

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2019 | 03h00

Nos anos em que o PT esteve no governo federal, adotou-se, com enorme prejuízo para o País, a chamada diplomacia Sul-Sul. Em vez de defender o interesse nacional, a política internacional lulopetista esteve orientada por questões partidárias e ideológicas. O objetivo era atender ao projeto de poder do sr. Lula da Silva. Durante a campanha eleitoral do ano passado, o então candidato Jair Bolsonaro prometeu acabar com essa política. No entanto, a impressão é de que o País ainda não se desvencilhou do ranço petista.

Mesmo com todas as promessas de que a política internacional teria no governo Bolsonaro uma nova orientação, o Brasil teve relevante participação em conferência da ONU sobre a cooperação Sul-Sul. Realizada em Buenos Aires no final de março, a “Segunda Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Cooperação Sul-Sul” discutiu o papel da modalidade diplomática terceiro-mundista para a implementação da Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável.

Por ocasião da reunião, o próprio Itamaraty informou que o Brasil segue mantendo 380 iniciativas de cooperação Sul-Sul, distribuídas por 63 países em desenvolvimento ao redor do mundo. Ou seja, o governo do presidente Jair Bolsonaro continua apostando no erro petista.

O Brasil deve ampliar as parcerias e oportunidades internacionais com todos os países possíveis, tendo sempre o interesse nacional como critério. Por exemplo, o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, mas só tem acesso a cerca de metade dos mercados. O restante ainda está fechado ao produto brasileiro. Há, assim, um longo caminho de ampliação de oportunidades comerciais, nos mais variados campos, o que deve incluir necessariamente os países em desenvolvimento.

O equívoco não é, portanto, estabelecer e ampliar relações com os países do hemisfério Sul. O problema da tal “cooperação Sul-Sul” é subordinar a política externa a critérios ideológicos, com prioridades que não correspondem ao interesse nacional. Não tem por que o Brasil priorizar relações com os países em desenvolvimento sem que para isso existam motivos claros e objetivos.

Como se sabe, a diplomacia terceiro-mundista do mandarinato lulopetista causou grandes danos para o Brasil, deixando o País em condição periférica no grande jogo político e econômico mundial. 

Sob o pretexto de promover a integração regional, o País alinhou-se a ditaduras companheiras na América Latina. E sob a desculpa de preocupar-se com a situação social do continente africano, o governo petista aproximou-se de cleptocracias africanas, em parcerias que em nada contribuíam para o desenvolvimento do País. Enquanto isso, muitas oportunidades de acordos com outros países e blocos foram perdidas, por mera antipatia ideológica.

A expectativa era de que o governo Bolsonaro fosse capaz de romper com essa política lulopetista. Não é, no entanto, o que se viu em Buenos Aires. A participação do Brasil na Cúpula Sul-Sul mostra também que não basta um discurso de campanha inflamado para mudar de fato a orientação do governo. É preciso realizar na prática a política prometida. Nesse sentido, o evento na Argentina é mais um alerta sobre a diferença entre fazer campanha eleitoral e governar de fato o País.

Recentemente, em aula magna no Instituto Rio Branco, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o terceiro-mundismo, que teria levado a “uma aposta em parceiros que não foram capazes de nos ajudar no nosso desenvolvimento”. Anuncia-se o diagnóstico crítico, mas a política criticada é mantida.

O País deve parar de promover uma diplomacia tacanha, guiada por limitações ideológicas, de esquerda ou de direita. Urge retomar uma política externa historicamente equilibrada, de soluções de compromisso, de respeito ao direito internacional e disposta ao entendimento multilateral. O governo de Jair Bolsonaro tem sido pródigo em criticar e denunciar tudo o que acha que é “submissão ideológica”. Falta agora fazer.

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