Policiais militares mais protegidos

Boas políticas de segurança são mais eficazes para proteger os agentes do que a apologia à violência

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2022 | 03h00

A instalação de câmeras corporais, as chamadas bodycams, nas fardas dos policiais militares (PMs) do Estado de São Paulo foi uma das melhores políticas de segurança pública implementadas pelo Palácio dos Bandeirantes em muitos anos. À medida que o tempo passa, os resultados extremamente positivos dessa providência aparecem, um após o outro.

Logo após a ampliação do uso das câmeras corporais em todo o Estado, em meados do ano passado, a letalidade policial caiu a zero nos 15 batalhões da Polícia Militar cujos agentes passaram a trabalhar com o novo equipamento. Mas não apenas a integridade física da população foi resguardada com o registro imagético das ações policiais. Os próprios PMs ficaram mais protegidos.

De acordo com a Polícia Militar, quatro agentes morreram em serviço ao longo de 2021, conforme dados obtidos pela Folha de S.Paulo. Três desses óbitos foram causados por acidentes de trânsito durante o deslocamento de viaturas. Em 2020, foram registradas 18 mortes de PMs em serviço, sendo uma dezena delas em confronto. Ou seja, no ano passado, quando grande parte dos PMs já trabalhava com as bodycams instaladas, houve uma impressionante redução de 78% no número de mortes de agentes em todo o Estado de São Paulo.

A gravação ininterrupta das intervenções policiais, sem possibilidade de edição de imagens pelos agentes, resguarda a integridade física da população e contribui decisivamente para abordagens policiais mais eficientes e dentro dos limites da legalidade. Agora, os novos dados revelam que a instalação das câmeras também levou ao aumento da segurança dos próprios policiais.

São boas políticas de segurança pública, como a adotada pelo governo de São Paulo, que protegem, a um só tempo, tanto a população em geral como os policiais militares, que lidam diariamente com o patrulhamento ostensivo, e não o estímulo ao armamento desenfreado e ao confronto, como apregoa o presidente Jair Bolsonaro. Na visão torpe de Bolsonaro e de grande parte de seus apoiadores, uma “boa” política de segurança é materializada em uma fileira de cadáveres de “meliantes”, pouco importando o devido processo legal ou mesmo a morte eventual de policiais que o presidente diz defender.

O ungido pelo Planalto para concorrer ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), afirmou que, se for eleito, vai acabar com as câmeras corporais porque os equipamentos “colocam em risco a vida dos policiais”. O bom senso e as evidências mostram exatamente o contrário. O projeto de implementação das bodycams na Polícia Militar de São Paulo vinha sendo estudado havia mais de sete anos. Foi pensado, elaborado e testado com rigor técnico, e agora mostra resultados altamente benfazejos para toda a sociedade. Que os eleitores se lembrem disso ao escolherem o próximo ocupante do Palácio dos Bandeirantes.

Todos ganham com uma Polícia Militar menos letal e mais protegida. Direitos dos cidadãos são garantidos, o processo judicial ganha provas robustas, os maus policiais podem ser identificados e punidos e os bons, valorizados.

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