Reação do PIB em novembro

Prévia aponta economia mais ativa após meses de estagnação, mas juros e incertezas devem pesar em 2022

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2022 | 03h00

A economia brasileira cresceu 4,4% nos 12 meses até novembro, segundo a mais confiável prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o Monitor do PIB publicado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas. Esse número indica para 2021 um resultado muito próximo da última estimativa do mercado – expansão de 4,5% – divulgada no boletim Focus, produzido pelo Banco Central (BC). De acordo com o Monitor, a produção industrial aumentou 4,9% nesses 12 meses; a dos serviços expandiu-se 4,3%; e a da agropecuária, apenas 0,9%. A notícia mais animadora foi “a reversão da trajetória de queda e estagnação” observada a partir de abril, como comentou o coordenador da pesquisa, o economista Claudio Considera.

Com essa reversão, em novembro o PIB foi 1,8% maior que em outubro, descontados os fatores sazonais, segundo o Monitor. Mas ainda houve retração de 0,3% no trimestre encerrado em novembro, quando comparado com o período de junho a agosto. Nesse confronto, houve recuo de 1,7% na indústria, puxado pelo segmento de transformação (-2,4%), e avanços de 10,8% na agropecuária e de 0,5% nos serviços.

Em relação a 2020, os dados mostraram produção geral 2,2% maior no mês de novembro e de 1,3% no trimestre móvel. A retomada dos serviços, um amplo conjunto muito importante para a geração de empregos, mesmo informais, foi claramente favorecida pelo avanço da vacinação contra a covid-19, como notou o coordenador Claudio Considera. Foi mais um ganho econômico e social contra o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro e a inoperância – para usar uma palavra suave – do Ministério da Saúde.

Confirmado um crescimento próximo de 4,5% em 2021, a economia terá superado o tombo de 2020 e alcançado patamar igual ao de 2019 ou talvez ligeiramente superior. Mas nada assegura, por enquanto, um desempenho em 2022 melhor que aquele previsto nas projeções do mercado, com expansão do PIB na faixa de zero a meio por cento. Se a inflação, como se estima, diminuir para algo próximo de 5% até o fim do ano, ainda ficará bem acima da meta, fixada em 3,5%. Além disso, novos aumentos da cotação internacional do petróleo poderão afetar perigosamente o conjunto dos preços.

Mantida essa perspectiva de inflação, o BC deverá sustentar juros elevados, no esforço para levar a alta de preços à meta oficial até 2023. Parece razoável a expectativa de uma taxa básica de juros de 11,75% no final de 2022. Dinheiro caro e crédito escasso contribuirão, portanto, ao lado das incertezas decorrentes da disputa eleitoral, para emperrar a economia neste ano.

Inflação elevada, juros altos e desemprego ainda acima de 10% da força de trabalho dificultarão o consumo familiar, principal fator de estímulo da indústria e dos serviços, tornando improvável, portanto, um ritmo de atividade sensivelmente superior ao atingido em 2021. Cada nova imprudência cometida pelo presidente Jair Bolsonaro reforçará as incertezas e a insegurança. Para uma avaliação mais completa seria preciso saber para onde irá o Centrão durante a campanha eleitoral.

 

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