Rumo a novos recordes

Exportações, demanda interna e produtividade impulsionam o agronegócio

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 03h00

O dinamismo da agropecuária brasileira, que vem assegurando recordes sucessivos de produção de grãos, parece surpreender até autoridades do setor. De acordo com as projeções de mais longo prazo do agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, já na safra de 2024/2025 a produção nacional de grãos deverá atingir 300 milhões de toneladas, o que, de certo modo, antecipa previsões da ministra Tereza Cristina, segundo as quais esse volume seria alcançado na safra 2027/2028.


Ganhos de produtividade, que se observam pelo menos desde a década de 1990, continuarão a ser registrados nos próximos dez anos, como mostra a projeção de crescimento da produção em velocidade maior do que a da expansão da área cultivada. Talvez os ganhos ocorram em ritmo menos intenso, mas suficiente para assegurar a presença do Brasil entre os maiores produtores mundiais dos 30 itens agropecuários mais comercializados no mundo.

Se confirmadas as novas projeções, a safra de grãos terá acréscimo de 71,6 milhões de toneladas em dez anos. O aumento será de 27,1% no período, ou uma taxa média anual de crescimento de 2,4%. Isso quer dizer que, ao longo do período, ainda que haja oscilações entre uma e outra safra, novos recordes continuarão sendo superados.

A produção de carnes (bovina, suína e aves) igualmente apresentará uma evolução expressiva no próximo decênio, com crescimento de 24,1%, o que significa aumento de 6,6 milhões de toneladas. As carnes de frango e de suínos deverão apresentar a maior expansão, de, respectivamente, 27,7% e 25,6%. A produção de carne bovina deve crescer 17%. Os técnicos do Ministério da Agricultura observam, porém, que o crescimento pode ser maior do que o projetado hoje, pois há aumento na demanda por proteína animal.

O impacto da pandemia na economia mundial no ano passado alterou tendências que se observavam até então e ainda se mantém em 2021, o que traz alguma incerteza para as projeções, como já havia observado a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em suas estimativas para a produção mundial (ver o editorial Os horizontes da agropecuária, de 8/7/2021).

O agronegócio brasileiro, mesmo nesse cenário, continuou a apresentar resultados muito animadores, batendo novo recorde de produção de grãos, e deve manter bom desempenho nos próximos anos. Entre os fatores que continuarão a impulsionar o setor, o Ministério da Agricultura cita o desempenho do mercado interno, cuja demanda de alimentos deve se manter forte, junto com as exportações e os ganhos de produtividade.

Em 2030/2031, um terço da produção de soja (33,7%) – principal item da pauta de exportações do agronegócio – deverá ser destinado ao mercado interno, que deverá absorver 71,6% da produção de milho e 43,0% da de café.

Do lado externo, deverá haver forte pressão do mercado de carne, especialmente bovina e suína. O Brasil deverá continuar liderando o mercado internacional de frango. Embora o Brasil deva continuar sendo grande exportador de carnes, o consumo interno terá grande peso no ritmo de produção.

Nos próximos anos, o crescimento das exportações de alguns produtos será notável. As de carne de frango deverão crescer 28,7%; de carne bovina, 30,5%; e de carne suína, 33,8%. As vendas de soja em grão, já expressivas, deverão aumentar 33,6%. Mas alguns produtos terão desempenho ainda mais expressivo. As exportações de manga deverão crescer 54,5% e as de suco de laranja não concentrado, 44,7%. Este último item substituirá as exportações de suco de laranja concentrado, que, nas estimativas do governo, deverão diminuir 37,3%.

Das regiões, as que deverão apresentar maior crescimento na produção de grãos são a Região Norte (35,0%) e a Centro-Oeste (33,3%). Crescimento expressivo deverá ser observado na região denominada Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que deverá produzir 36,0 milhões de toneladas daqui a dez anos, mais de 10% do total nacional. A produção do Sudeste deverá crescer 20,2% e a do Sul, 18,8%.

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