São Paulo vai à luta

O vírus será feroz com SP, mas o Estado pode liderar o País na superação da crise

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 03h00

Nesta quarta-feira foi entregue o hospital de campanha no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com 200 leitos e respiradores. Com gestão do Instituto Social Albert Einstein e infraestrutura da Prefeitura de São Paulo, começará a funcionar a partir de segunda-feira. A velocidade com que foi erguido – apenas 10 dias – corresponde à ferocidade do vírus em São Paulo. O Estado registrou as primeiras infecções e mortes, e está em primeiro na quantidade de infectados e mortos. Mas o caso ilustra também as respostas exemplares das autoridades e da sociedade civil paulistas à crise.

A prioridade urgente é salvar vidas e minimizar o impacto sobre a saúde. Na semana que vem será entregue outro hospital no complexo do Anhembi, com 1.800 leitos. O governo do Estado vai repassar R$ 309 milhões às 645 prefeituras para erguer hospitais e custear insumos. Além disso, as 377 Santas Casas e hospitais filantrópicos receberão R$ 100 milhões para ampliar suas operações. O Hospital das Clínicas, na capital, foi transformado num centro de atendimento para a covid-19, ampliando a capacidade de 200 leitos para 900.

O governo estadual realizou parceria com mil unidades da rede de farmácias para implementar a vacinação gratuita contra a influenza. Além disso, as farmácias também estão oferecendo álcool em gel a preço de custo em todo o Estado. Os hospitais da rede estadual montaram centros móveis de Triagem e Atendimento para suspeitos de coronavírus e serão assessorados por um sistema de teleconsultoria do Incor. Em parceria com 17 laboratórios ligados à USP, a capacidade de testes foi estendida para 2 mil por dia. Logo chegará a 10 mil.

A agilidade e a descentralização no tratamento são cruciais para evitar o colapso do sistema de saúde. Segundo o Instituto Butantan, sem essas medidas e a quarentena, o sistema de saúde estaria colapsando neste exato momento.

Na área de pesquisa, a Fapesp destinou R$ 30 milhões para o combate ao vírus. A USP desenvolveu um ventilador pulmonar que poderá ser produzido rapidamente a um preço 15 vezes menor que o de mercado.

Mas a crise também impõe o socorro às famílias, trabalhadores e empresas vulnerados pelo apagão econômico. O governo estadual suspendeu a cobrança da tarifa social de água para 506 mil famílias, as ações de interrupção de fornecimento de gás e os prazos para protestos de dívidas. O programa Merenda em Casa garantirá alimentação para 700 mil dos 3,5 milhões de alunos da rede estadual. As unidades Bom Prato oferecerão 1,2 milhão de refeições a mais por mês a R$ 1 para moradores de rua e necessitados. Os caminhoneiros, fundamentais para a cadeia de abastecimento, receberão 140 mil kits de alimentação.

Para amortizar o impacto sobre o setor do turismo, um dos mais afetados, o Estado mobilizará R$ 74,7 milhões em empréstimos. Também foram lançadas linhas de crédito para o setor cultural e criativo.

O poder público foi ainda ágil em canalizar a boa vontade difusa pela sociedade civil. O Fundo Social São Paulo já arrecadou quase R$ 200 milhões com o empresariado para custear equipamentos e serviços de saúde, além de produtos de primeira necessidade para comunidades carentes.

Mas as forças de combate ao vírus já têm suas baixas. Como que a representar todos os profissionais de saúde expostos ao risco, o chefe do Centro de Contingenciamento do Coronavírus, David Uip, foi infectado e está em recuperação. Vale lembrar que o prefeito Bruno Covas está no grupo de risco em razão do tratamento contra o câncer. Ele e o governador João Doria têm sido, além de tudo, protagonistas-chave do cordão sanitário institucional que as autoridades mais responsáveis do País montaram para neutralizar as atitudes contraproducentes, para não dizer flagrantemente nefastas, do presidente Jair Bolsonaro.

Muito antes de ser o epicentro da crise, São Paulo é o centro industrial e financeiro do País. O vírus será especialmente feroz com São Paulo, mas, se São Paulo for, como está sendo, especialmente feroz com o vírus, pode liderar o País na superação desta crise.

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