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Segurança em dólares

O comércio exterior vai bem em 2021 e o agronegócio de novo se destaca

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2021 | 03h00

Recordes têm marcado o comércio exterior do Brasil em 2021, graças ao vigor da China, principal mercado importador de produtos brasileiros, aos preços altos das commodities, ao dólar valorizado, à retomada de alguns ramos industriais e à vitalidade do agronegócio, apesar dos efeitos da seca em importantes áreas produtoras. O superávit comercial de US$ 27,1 bilhões acumulado de janeiro a maio foi o maior da série iniciada em 1997. Em maio, a corrente de comércio, soma de exportações e importações, chegou a US$ 54,6 bilhões, outro recorde. O valor alcançado nos cinco primeiros meses, US$ 190,2 bilhões, foi o segundo maior da série.

O sólido resultado comercial continua garantindo a segurança do setor externo. O saldo positivo na balança de mercadorias compensa em boa parte o costumeiro déficit nas contas de serviços e de rendas. Graças a isso o saldo negativo em transações correntes se mantém facilmente financiável com o investimento direto estrangeiro, embora esse tipo de recurso tenha diminuído nos últimos dois anos. Empresários de fora continuam apostando na economia brasileira, apesar da insegurança em relação à política econômica do atual governo e aos problemas de imagem criados pela atuação do presidente Jair Bolsonaro.

Todos os grandes setores ampliaram suas vendas externas, contribuindo para o aumento do valor exportado. O valor exportado até maio, de US$ 190 bilhões, foi 31% maior que o de um ano antes. De novo, o resultado geral foi assegurado pelas vendas de commodities – produtos do agronegócio e da indústria extrativa. Em maio, o agronegócio, com receita de US$ 13,9 bilhões (outro recorde), proporcionou 51,7% do valor total das exportações. A receita comercial do setor nos primeiros cinco meses (US$ 50,2 bilhões) correspondeu a 46,2% do valor exportado. A participação foi menor que a de janeiro-maio de 2020, quando chegou a 49,5%. A consolidação desses dados foi realizada pelo Ministério da Agricultura

Mesmo com aumento da parcela do setor extrativo – basicamente petróleo e minério de ferro –, o agronegócio continuou com a maior fatia. A participação do agro inclui as vendas de produtos primários, semimanufaturados e manufaturados (como açúcares, farelo de soja, celulose e carnes processadas).

O agro, assim como a indústria mineral, também se destaca pela capacidade de produzir saldos comerciais positivos. Em maio, o superávit do agronegócio chegou a US$ 12,7 bilhões. Um ano antes havia atingido US$ 9,6 bilhões. O saldo de cinco meses passou de US$ 35,8 bilhões em 2020 para US$ 44 bilhões neste ano. Esse resultado compensou com enorme folga o déficit de US$ 16,9 bilhões dos demais setores.

Nos 12 meses até maio o agronegócio exportou US$ 109,7 bilhões, 10,7% mais que no período anterior. Seu superávit, de US$ 95,9 bilhões, cresceu 11,6%. O valor exportado pelo setor correspondeu a 46,8% de toda a receita obtida pelo País no comércio de bens.

Em todas essas operações, o principal destino das vendas do setor foi a China. Em 12 meses o mercado chinês absorveu produtos no valor de US$ 38 bilhões, 34,6% do total vendido pelo agronegócio. Além de ser a maior compradora de produtos brasileiros, a China se mantém, há anos, como uma das fontes mais importantes dos superávits comerciais obtidos pelo Brasil.

A parceria com o mercado chinês tem uma importância estratégica muito especial – e aparentemente ignorada pelo presidente Jair Bolsonaro, por seus filhos e pelo ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo. Essa parceria se tornou ainda mais importante quando a China se tornou fornecedora de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19 e também de vacinas prontas. Também esse papel foi desastradamente ignorado pelo presidente da República.

O agronegócio tem condições de se manter como importante fator de segurança externa para a economia brasileira. Para isso, no entanto, será essencial manter relações civilizadas com todos os importadores, além de preservar a imagem do setor, ameaçada pelos desatinos ambientais do governo.

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