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Sem horizonte para investir

PIB e bem-estar dependem de mais capital aplicado em potencial econômico

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2021 | 03h00

Conforto, saúde, segurança, prosperidade e emprego dependem crucialmente de investimentos em infraestrutura, isto é, em rodovias, ferrovias, sistemas de eletricidade, redes de água e esgoto, telecomunicações, portos e aeroportos. Em declínio desde 2013, esse conjunto de investimentos chegou no ano passado ao menor nível desde 2000, segundo o Relatório Infra2038, produzido anualmente a partir de 2017 por iniciativa de líderes da Fundação Lemann. O total investido nessas instalações e serviços em 2020 ficou em R$ 115,8 bilhões, soma equivalente a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimento em capacidade produtiva é essencial para o crescimento econômico. O consumo pode impulsionar a atividade no curto prazo, mas a expansão só é duradoura quando se investe em tecnologia, qualificação do trabalho, máquinas, equipamentos e construções. Disso depende também o poder de competição internacional da agropecuária, da indústria e dos serviços. O esforço de produção de bens e serviços é severamente prejudicado quando a infraestrutura é deficiente. Isso é bem visível no Brasil. Não basta um produtor ser competente dentro da fazenda ou da fábrica, se as dificuldades de transporte encarecem de forma desproporcional a sua mercadoria. Esse é apenas um exemplo de como o País é prejudicado por aquele tipo de deficiência.

O Brasil tem sido mal classificado, há muitos anos, em comparações internacionais de competitividade. Em 2019 ficou no 78.º lugar no ranking publicado pelo Fórum Econômico Mundial. Para chegar à 20.ª posição até 2038, o País precisará investir R$ 339 bilhões por ano em infraestrutura, segundo os produtores do relatório.

Por enquanto, eles apontam como dado positivo o sucesso de alguns leilões. Investidores privados têm-se mostrado dispostos a aplicar capital em obras de infraestrutura, com destaque para o setor de saneamento básico. A enorme carência desse tipo de serviço se tornou especialmente dramática desde o ano passado, quando o País foi atingido pela pandemia de covid-19. Sem serviços adequados de água e de esgoto, as famílias mais pobres ficaram mais expostas à contaminação.

O problema da infraestrutura agravou-se com a piora das condições financeiras do setor público. Com menos dinheiro para investir, o governo ficou mais dependente da participação do setor privado para executar os planos de manutenção, expansão e modernização da infraestrutura. A parceria deu algum resultado, mas a corrupção, muito intensa durante alguns anos, resultou em desperdícios de recursos públicos e em enorme perda de tempo.

A participação privada só continuará a ocorrer, e de forma crescente, se o governo for capaz de dar rumos ao investimento. Para isso, o setor público precisará definir prioridades e promover, por meio de licitações, o ingresso de investidores nessa grande tarefa. Para avançar de forma produtiva nesse caminho, o governo terá de se empenhar muito mais no planejamento.

Mas será preciso ir muito além da expansão e da modernização da infraestrutura. Isso dependerá, basicamente, das expectativas do empresariado. Por enquanto, as apostas se concentram no crescimento econômico previsto para 2021. As projeções estão em torno de 5% de expansão do PIB em 2021, mas há pouco otimismo quanto aos próximos anos. Os cálculos apontam para 2022 um avanço pouco superior a 2%. Para os anos seguintes mantém-se a estimativa de 2,5%.

Somados todos os tipos de investimento, a formação bruta de capital fixo, isto é, de aplicações em máquinas, equipamentos e obras, continua muito baixa e assim seguirá, se as expectativas se mantiverem nas condições de hoje. O investimento tem oscilado na faixa de 15% a 18% do PIB e os valores ainda têm sido inflados pelas importações “fictas” de bens de capital, isto é, pelas importações meramente contábeis, para finalidades fiscais, de equipamentos para petróleo. Mais do que gastar, o governo precisa criar perspectivas para favorecer o investimento. Presidente e equipe têm semeado mais incertezas do que confiança e esperança.

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