Sinal de confiança

O que pode reduzir a velocidade do crescimento é o desempenho da indústria

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2019 | 04h00

A alta de 0,29% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em novembro é bem mais expressiva do que a registrada em outubro (de 0,02%) e mais do que suficiente para compensar a perda de 0,12% observada em setembro, sempre na comparação com o resultado do mês anterior. Mesmo assim, o IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) calculado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continua abaixo do patamar registrado em junho de 2015 (139,70 contra 139,93 pontos). Dados da atividade econômica já conhecidos indicam ser pouco provável que o resultado de dezembro seja melhor do que o de novembro, mas, mesmo assim, o IBC-Br deverá registrar alta de 1,2% a 1,5% no resultado acumulado de 2018, variação próxima da projetada pela maioria dos analistas do mercado financeiro para o PIB.

O IBC-Br oscilou ao longo de 2018, mas, no acumulado de janeiro a novembro, mostrou alta de 1,38% em relação ao resultado de um ano antes. No acumulado de 12 meses até novembro, a alta é de 1,44%. São números que mostram uma economia em crescimento, mas em marcha lenta.

É prematuro falar em início de um processo de recuperação mais robusta da atividade econômica com base nos números relativos ao mês de novembro, pois parte dos ganhos ali registrados poderá ser revertida pelo desempenho de dezembro. Mas os números divulgados pelo Banco Central podem ter captado a mudança de percepção do consumidor depois de encerrada a turbulenta campanha eleitoral para a Presidência da República.

Há sinais fortes de que essa mudança nas expectativas do consumidor observada logo após o término do processo eleitoral se acentuou nos meses seguintes. As expectativas geradas pela escolha de novos governantes tornaram o consumidor mais confiante, a despeito da persistência de muitos problemas.

A intenção de consumo das famílias medida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por exemplo, registrou alta de 5,1% em janeiro na comparação com dezembro, a maior variação de um mês para outro em toda a série desse indicador, iniciada em 2010. A CNC atribuiu esse resultado à melhora do mercado de trabalho, embora a taxa de desemprego continue muito alta, à manutenção da inflação em níveis muito baixos e ao pagamento do 13.º salário.

Embora de maneira pouco nítida, pode estar se formando um círculo virtuoso, em que a percepção de retomada do crescimento econômico alimenta a intenção de consumo e o consumo alimenta a atividade econômica, ainda que de maneira modesta. “Diante do cenário em que o crescimento econômico vem sendo gradual, podendo acentuar-se em 2019, a intenção de consumo tenderá a crescer durante o ano”, observa a CNC, ressalvando, porém, que dificilmente o crescimento da intenção de consumo observado em janeiro se repetirá nos próximos meses.

Há um dado mais sólido para sustentar as previsões de crescimento robusto em 2019. Os investimentos em máquinas, equipamentos e instalações (obras civis) aumentaram 7,8% em novembro na comparação com novembro de 2017. Nos 12 meses terminados em dezembro, o aumento foi de 4,9% em relação ao período anterior. Os números constam de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sobre a evolução da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos na composição do PIB).

O que pode reduzir a velocidade do crescimento é o desempenho da indústria. Setor mais atingido pela crise, a indústria deu sinais fortes de recuperação, mas ressente-se da crise argentina, grande importadora de bens industriais brasileiros, especialmente de automóveis.

Mais do que de fatores tipicamente econômicos, porém, o crescimento mais rápido está na dependência da capacidade do setor político, a começar pelo Executivo federal, de conduzir as reformas de que o País necessita.

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