Só a vacina leva à normalidade

A transição de uma pandemia mortal para um estágio endêmico depende de cada um completar seu esquema vacinal

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 03h05

Até pouco tempo atrás, o ansiado fim da pandemia de covid-19 dependia primordialmente da ação direta dos governos nas três esferas da administração, sobretudo da aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde. Nos últimos dois anos, Estados e municípios, em sua grande maioria, fizeram o que lhes cabia e determinaram restrições sanitárias – não raro impopulares – que ajudaram a frear a circulação do coronavírus nos momentos mais críticos da peste. Já o governo federal, como o País inteiro assistiu, negligenciou a compra de vacinas até quando pôde, ou seja, até o ponto em que a desídia, a falta de empatia e o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro começassem a afetar seu capital eleitoral na corrida pela reeleição, além de contrariar os interesses de seus aliados políticos do Centrão.

Essa parte do desafio parece superada e, agora, a volta a um estado de normalidade pré-pandemia está ao alcance das decisões de cada cidadão.

Pouco a pouco, as restrições sanitárias determinadas pelos governos subnacionais, às quais grande parte da sociedade aderiu como um esforço coletivo necessário para preservar vidas, têm sido flexibilizadas. Com redução do número de casos e mortes e queda na ocupação de leitos de covid-19 nos hospitais, o carnaval que se aproxima é visto por administradores públicos e epidemiologistas como o teste final antes do levantamento total das medidas restritivas, inclusive o uso de máscaras em locais públicos. 

Ainda que motivado pelo egoísmo do presidente e sob forte pressão da sociedade, fato é que o Ministério da Saúde comprou as vacinas e o País tem se beneficiado de toda a experiência e capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Prevaleceu a cultura vacinal dos brasileiros, que em sua esmagadora maioria acorreu aos postos de saúde para receber o imunizante.

Salvo problemas pontuais, não faltam mais vacinas para a população, nem para os adultos nem para crianças em idade elegível (a partir dos 5 anos). Mas, a despeito dessa alta disponibilidade, ainda há no País cerca de 33 milhões de cidadãos que poderiam já ter recebido a terceira dose da vacina e ainda não procuraram os postos de saúde. Apenas em São Paulo, de acordo com um levantamento do jornal O Globo com base em dados das Secretarias Estaduais da Saúde, há 8 milhões de pessoas nessa condição. Em torno de 2 milhões de paulistas não voltaram aos postos nem sequer para tomar a segunda dose do imunizante. É muita gente.

Sabe-se que apenas a terceira dose, a chamada dose de reforço, é capaz de gerar a resposta imunológica para impedir as formas graves de covid-19 provocadas pela variante Ômicron, cepa prevalente do coronavírus no Brasil. As razões para o descuido vacinal vão desde a desinformação até uma falsa sensação de segurança individual. É muito importante que aqueles que podem receber a vacina e ainda não o fizeram completem seu esquema vacinal. A transição de uma pandemia mortal para um estágio endêmico sob controle depende disso.

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