Tapa-buraco mais rápido

Um dos pontos principais da nova postura adotada pela Prefeitura é o encurtamento de prazo para tapar os buracos, que passa a ser de 10 dias no máximo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2019 | 03h00

Um dos tormentos de todos os que trafegam pelas ruas da capital – os buracos que surgem às centenas e demoram a ser tapados – pode ser pelo menos aliviado, se as novas regras e o prazo para conserto, estabelecidos em decreto baixado pelo prefeito Bruno Covas, forem rigorosamente observados. É um paliativo, como ele mesmo admite realisticamente, mas importante porque a solução definitiva – o recapeamento das vias, cujas condições se degradaram nas últimas administrações – ainda vai demorar. 

, a contar da dUm dos pontos principais da nova postura adotada pela Prefeitura é o encurtamento de prazo para tapar os buracos, que passa a ser de 10 dias no máximoata do pedido de conserto, com base nas reclamações dos paulistanos ou na constatação e alerta da fiscalização. Hoje, o prazo médio, de acordo com o governo municipal, é de 45 dias. Mas como sabe por experiência própria a população, há casos – e não são poucos – em que a demora vai muito além disso. Cerca de 300 buracos são abertos por dia, informa

Covas. A demora tão grande dos consertos agrava ainda mais o estado já lastimável em que ficam as ruas da cidade.

O prefeito afirma que antes mesmo do decreto que acaba de baixar já havia tomado outras medidas para enfrentar o problema. Uma foi o aumento dos recursos destinados ao serviço de tapa-buracos, que passou de R$ 300 milhões em 2018 para R$ 400 milhões este ano. Outra foi o maior número de caminhões que trabalham exclusivamente para esse serviço, que foi de 30 no começo deste ano para 100 ao longo do primeiro trimestre. Mesmo assim, ainda há 20 mil pedidos de conserto à espera de atendimento, o que dá uma ideia da necessidade urgente de tornar mais ágil o serviço. 

Outro ponto a ressaltar é a ampliação das exigências às concessionárias de serviços – como as de gás, eletricidade, telefonia, saneamento, internet –, que estão entre as principais responsáveis pelo problema. Isto é compreensível, porque é da própria natureza de suas atividades abrir buracos nas ruas para reparos ou ampliação de suas redes. O que não é compreensível nem aceitável é a qualidade – nem sempre dentro dos melhores padrões – e a demora dos consertos. 

Segundo a Prefeitura, 96% das reclamações sobre tapa-buracos mal feitos referem-se a serviços das concessionárias. Por isso, além da considerável redução do prazo para a realização dos consertos, ficou estabelecido que as concessionárias terão de seguir o mesmo padrão adotado pela Prefeitura nesse caso: recortar e tapar a área do entorno do buraco, em vez de aplicar só nele o asfalto. 

Esse tipo de conserto, que abrange uma superfície maior, garante maior durabilidade. Tal regra, se seguida à risca pelas concessionárias e pela Prefeitura, evitará que os buracos se abram facilmente na primeira chuva forte. Antes, isso acontecia com frequência, agravando o problema.

O Programa de Metas 2019-2020 da Prefeitura promete tapar nesse período 540 mil buracos. A julgar pelo aumento da verba nada desprezível para esse serviço, de R$ 300 milhões do ano passado para R$ 400 milhões este ano, Covas dispõe de recursos para cumprir sua promessa. O mesmo vale para os outros itens da parte referente à “Melhora e manutenção de logradouros públicos”, para os quais o Programa garante igualmente os recursos: recuperação de 240.000 metros lineares de guias e sarjetas, limpeza de 2.800.000 m² de margens de córregos, retirada de 176.406 toneladas de detritos dos piscinões, limpeza mecânica de 2.400.000 metros lineares de ramais e galerias; melhoria no atendimento de avaliação, poda e remoção de árvores.

Tudo isso pode ajudar a melhorar a vida dos paulistanos em aspectos importantes. A existência de recursos para custear cada um desses itens, apontada pelo Programa, não é garantia suficiente, porém, de que as promessas de Covas serão cumpridas. Promessas semelhantes feitas por outros prefeitos não saíram do papel. Deve-se apenas, prudentemente, torcer para que desta vez seja diferente. 

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