Um certo alento

A queda consistente do número de casos de covid-19 no País e a desaceleração da transmissão viral estão diretamente relacionadas com o avanço da vacinação da população

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 03h00

Em meio à imensa dor causada pela morte de mais de 525 mil brasileiros em decorrência da covid-19, dois fatos trazem algum alívio e projetam um futuro mais auspicioso para a Nação.

Nesta semana, o Brasil registrou queda recorde na média de casos diários de covid-19. Na terça-feira passada, foi notificada uma média de 48.954 casos da doença, o que representa uma redução de 37% em relação ao registro feito nos 14 dias anteriores. A notícia é alentadora, pois, além de se tratar de uma queda recorde, coroa uma sequência de reduções nos registros que apontam para uma queda consistente do número de casos da doença no País.

Esta excelente notícia veio acompanhada por outra, igualmente alvissareira. Um novo relatório do Imperial College de Londres, referência internacional no acompanhamento da transmissão da covid-19, aponta que a taxa de transmissão (Rt) do coronavírus no Brasil está em 0,91 na primeira semana de julho, ou seja, cada grupo de 100 infectados transmite a doença para outras 91 pessoas. Uma Rt abaixo de 1,00 indica que a transmissão do vírus está em desaceleração em dada localidade. Para efeito comparativo, na primeira semana de junho a Rt era de 0,99. Na segunda, 1,07. Na terceira, 1,13. Por fim, na última semana do mês passado estava em 0,98.

A queda consistente do número de casos e a desaceleração da transmissão viral estão diretamente relacionadas com o avanço da vacinação da população. Hoje, cerca de 78,5 milhões de brasileiros (37,06% da população) já tomaram a primeira dose da vacina. Destes, 27,8 milhões (13,13%) já estão totalmente imunizados, vale dizer, já tomaram as duas doses ou a dose única, caso da vacina Janssen.

O Brasil não é um modelo para o mundo no que concerne à vacinação contra a covid-19, como apregoa, ardilosamente, o presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a organização Our World In Data, o Brasil está em quarto lugar no número de doses de vacinas aplicadas. Mas, na avaliação que importa para efeito de controle sanitário, o total de vacinados em cada grupo de 100 habitantes, o Brasil está na 68.ª posição no ranking de países que mais vacinam seus cidadãos. Um fiasco, sobretudo quando se leva em conta a experiência do País em campanhas de vacinação bem-sucedidas.

Fato é que, aos trancos e barrancos, cada vez mais brasileiros têm sido chamados para receber sua vacina. Como vimos, isto tem reflexo direto na redução consistente do número de casos de covid-19 e, o mais importante, do número de mortes. A maioria dos Estados tem registrado queda ou estabilidade no número de mortos. O problema é que a estabilização se encontra, ainda, em patamar por demais elevado – cerca de 1,5 mil óbitos por dia.

Isto só reforça a importância de o governo federal empreender todos os esforços para garantir a importação de vacinas e de insumos para produção local de imunizantes. E reforça também a premência de uma atitude responsável de cada cidadão neste momento dramático.

São muitos os relatos de pessoas que simplesmente se recusam a receber a vacina porque o fabricante do imunizante à disposição no momento não é de seu agrado. Tantos são os casos de incivilidade que há governos, estaduais e municipais, que chegam ao extremo de adotar sanções, como passar os chamados “sommeliers” de vacina para o fim da fila.

Deixar de tomar a vacina por predileções quanto ao fabricante é uma estupidez, do ponto de vista individual, e uma demonstração de total descompromisso com o bem-estar da coletividade. As quatro vacinas à disposição dos brasileiros são seguras e eficazes contra a covid-19 e evitam mortes. Não se pode querer mais do que isto.

Quanto mais brasileiros estiverem vacinados, com qualquer uma das quatro vacinas, menos espaço haverá para a circulação do vírus. A questão é elementar. É isto, principalmente, que vai, em dia há muito ansiado por todos, dar fim a esta crise sem precedentes, e que tão caro tem nos custado.

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