Um plano responsável

Plano do governo de SP poderá conduzir a volta à normalidade com segurança

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 03h00

O governo paulista tem se mostrado cioso da enorme responsabilidade do poder público na coordenação das ações de enfrentamento da pandemia de covid-19. Embora isso seja o mínimo a esperar de qualquer governo que se pretende sério, a postura ajuizada do governador João Doria e de sua equipe nesta hora grave é digna de registro porque ainda há no País muitos que desdenham da gravidade da maior emergência sanitária global desde a gripe espanhola de 1918-1919, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus auxiliares mais próximos.

Desde o início de março, quando o novo coronavírus começou a avançar no País, sobretudo em São Paulo, Estado mais afetado da Federação, o governador João Doria e seus secretários se postam quase diariamente diante da imprensa para, com clareza e transparência, atualizar os dados sanitários, anunciar medidas e, na medida do possível, tranquilizar a população. Boas ou más, as informações chegam aos paulistas tais como são, sem turvamento dos fatos. É um alento. Ao fim e ao cabo, este diálogo institucional entre governo e sociedade cria um ambiente de confiança que, se é fundamental para a democracia em qualquer circunstância, adquire especial importância no momento em que os cidadãos se veem ameaçados por um vírus mortal ainda por ser totalmente entendido pela ciência.

É com confiança, pois, que deve ser recebido o Plano São Paulo, planejamento de reabertura das atividades econômicas no Estado a partir do dia 11 de maio. As diretrizes gerais do plano foram divulgadas por João Doria na quarta-feira passada. Os detalhes, no entanto, só serão conhecidos no próximo dia 8, dois dias antes do término da vigência da atual quarentena. Até o dia 10 do mês que vem, nada muda: só permanecerão abertos os estabelecimentos que prestam serviços essenciais, como supermercados, farmácias e postos de combustíveis.

Em linhas gerais, o Plano São Paulo compreende a classificação dos 645 municípios do Estado em três categorias de risco: vermelha, amarela e verde. A flexibilização será maior, naturalmente, nos municípios da zona verde, ou seja, os que apresentam baixo número de casos de covid-19, baixa ocupação de leitos de UTI e testes disponíveis para pessoas assintomáticas ou casos suspeitos, como explicou Patrícia Ellen, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico e Social. Nos municípios incluídos na zona amarela haverá reabertura, porém bem mais restrita. Já nos municípios que compõem a zona vermelha, por ora, não haverá qualquer flexibilização. “Em hipótese alguma faremos uma abertura desordenada, com flexibilização aleatória ou desrespeitando os critérios da saúde e da ciência”, disse Ellen.

De acordo com o governador João Doria, o planejamento de reabertura constante do Plano São Paulo poderá ser revisto a qualquer tempo caso não se respeite, a partir do dia 10 de maio, um índice mínimo de 50% de isolamento social. A Região Metropolitana de São Paulo tem se mantido neste patamar, pouco mais, pouco menos, a depender do dia. Já em 20 municípios do interior do Estado, não identificados pelo governador, o isolamento é superior a 60% da população, o que os credencia para uma reabertura econômica menos restrita. No fim, disse Doria ao apresentar as diretrizes do plano, quem determinará o grau de flexibilização da quarentena nos municípios paulistas serão os técnicos da área de Saúde. A população também ajudará muito neste processo caso se mantenha engajada no isolamento. É este comportamento cívico que tem permitido ao Estado apresentar taxas de novos casos de covid-19 menores do que as observadas em outros entes federativos e até mesmo em outros países. “São Paulo conseguiu achatar a curva, não temos mais dúvida”, disse o coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, David Uip.

Pelo que se sabe até agora, o Plano São Paulo é um planejamento responsável para a retomada das atividades no Estado. Amparado em dados científicos, de execução gradual e setorizada, poderá conduzir a volta à normalidade tendo como norte indesviável o resguardo da saúde da população. Não se pode exigir mais do que isto.

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