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Uma dose de alento e outra de cautela

A queda dos casos e óbitos por covid-19 no Brasil é um dado muito alentador, mas os cuidados pessoais ainda se fazem rigorosamente necessários

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2021 | 03h00

A nova edição do Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicada na quarta-feira passada, traz um dado muito alentador. As quedas dos números de casos e óbitos decorrentes da doença e da taxa de ocupação de leitos de UTI observadas nas últimas semanas epidemiológicas indicam que o País está em “processo de arrefecimento mais duradouro da pandemia nos próximos meses”. Hoje, nenhum Estado registra taxa de ocupação de leitos de UTI para covid-19 acima de 90%, algo que não acontecia desde dezembro de 2020. Em São Paulo, esta taxa é de 66,2%. Na Região Metropolitana, 60,9%.

A notícia é um bálsamo para a Nação, enlutada que está pela morte de quase 540 mil de seus cidadãos no curso desta peste sem precedentes. Trata-se, no dizer da Fiocruz, de “uma nova fase da pandemia no Brasil, em que a vacinação tem feito a diferença”.

Como o bom senso, a experiência histórica e os reiterados alertas de especialistas já apontavam, o avanço da vacinação da população era absolutamente determinante para que o País controlasse a disseminação do coronavírus. A bem da verdade, o Brasil ainda está longe de atingir o patamar de cidadãos imunizados que permita pôr fim à pandemia. Apenas 15,17% da população está completamente imunizada contra o coronavírus, ou seja, já recebeu as duas doses das vacinas do Butantan, da Fiocruz ou da Pfizer ou a vacina da Janssen, de dose única. A segurança plena virá quando aquele porcentual subir para, aproximadamente, 70% dos brasileiros. Mas fato é que a aplicação da primeira dose daqueles três primeiros imunizantes já garante algum grau de proteção contra a forma grave da doença. E 41% dos brasileiros já receberam ao menos uma dose da vacina.

Os dados do Boletim Observatório Covid-19, portanto, permitem chegar a duas conclusões. A primeira, óbvia, é que os governos, em suas três esferas, devem empreender todos os esforços para vacinar totalmente ainda mais brasileiros no menor tempo possível.

Vacinas salvam vidas, e isto precisa ser dito de forma clara porque a politização do tema tem levado muitos brasileiros a questionar a segurança e a eficácia dos imunizantes. A segunda conclusão é que, a despeito do avanço da vacinação no País, os cuidados pessoais ainda se fazem rigorosamente necessários. Em que pesem as boas-novas vindas da Fiocruz, nada está resolvido. Ainda há riscos não desprezíveis, sobretudo o risco de disseminação comunitária da variante Delta do coronavírus, de recrudescimento do atual quadro sanitário.

De acordo com o Datafolha, pela primeira vez desde o início desta crise sanitária, a maioria dos brasileiros (58%) entende que a pandemia está sob controle no País. Mais pessoas têm sido vacinadas e os números de casos, mortes e a taxa de ocupação de leitos de UTI, como já observado, estão em queda. O alívio e a percepção de controle são justificados, mas de forma alguma devem se traduzir em comportamentos pouco cuidadosos por parte dos cidadãos, mesmo os que já foram vacinados. Ainda que percebida como controlada pela maioria dos brasileiros, a covid-19 ainda mata diariamente, em média, 1,2 mil de nossos concidadãos. É lastimável.

É fundamental, pois, que os cidadãos, quando chegar a sua vez, tomem a vacina que estiver disponível. É imperiosa a observância aos cuidados pessoais preconizados pelas autoridades sanitárias. E, de uma vez por todas, é necessário abandonar elixires absolutamente ineficazes contra a covid-19, como o famigerado “kit covid”. Com longuíssimo atraso, o Ministério da Saúde, antes uma plataforma de desinformação, enviou documento à CPI da Pandemia contraindicando o uso dos medicamentos contidos no tal “kit” para “tratamento precoce” da doença. “Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir, ritonavir, colchicina e plasma convalescente.”

Agora resta investigar quem enriqueceu ilicitamente com a fabricação e distribuição destes medicamentos à custa da saúde e da vida de milhares de brasileiros.

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