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Uma recuperação oscilante

PIB voltou a crescer em maio, segundo a FGV, mas a retomada apenas começou

Notas&Informações, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2021 | 03h00

Puxada pela indústria, a economia cresceu 0,3% nos 12 meses até maio, mas ainda ficou 0,7% abaixo do nível de fevereiro do ano passado, antes do tombo causado pela pandemia, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). “Esses resultados mostram que ainda há um longo caminho para a retomada mais robusta”, comentou o pesquisador Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV, a mais detalhada prévia mensal do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar da reação do consumo e de sinais positivos em todos os setores, o ritmo dos negócios tem oscilado. No trimestre móvel encerrado em maio a atividade foi 0,9% inferior à dos três meses até fevereiro.

O crescimento econômico de 1,8% em maio foi o melhor desempenho mensal registrado em 2021 pelo Monitor, mas esse resultado ficou longe de compensar a perda acumulada em março e abril. Em cada um desses meses o PIB encolheu 1,4%, segundo as contas da FGV. Apesar desse avanço inseguro, mercado e governo têm elevado suas projeções para este ano.

O Ministério da Economia acaba de aumentar sua estimativa de 3,5% para 5,3%, emparelhando sua expectativa à do mercado. Em quatro semanas, economistas do setor financeiro e de grandes consultorias passaram de 4,85% para 5,26% suas previsões de aumento do PIB em 2021.

Se a nova expectativa oficial estiver certa, a economia brasileira chegará a dezembro com um ganho de 0,98% em relação ao resultado de 2019. Mas o dado mais significativo, para quem se preocupa com o potencial produtivo do País, está nas projeções para os próximos anos. O crescimento anual do PIB ficará em torno de 2,5% no período de 2022 a 2025, segundo as novas estimativas divulgadas pelo Ministério da Economia. As projeções do mercado indicam 2,09% para o próximo ano e 2,5% para os dois seguintes.

Há anos as projeções de longo prazo ficam na faixa de 2% a 2,5%. Esse é o potencial de crescimento avaliado por economistas brasileiros e estrangeiros. O baixo investimento em máquinas, equipamentos e obras é um dos fatores limitantes levados em conta pelos especialistas. Desde janeiro de 2000, esse tipo de investimento correspondeu em média a 18% do PIB. No período a partir de 2015 a média ficou em 16%. Em maio deste ano, a taxa foi bem mais alta, 22,1%, segundo a FGV.

Mas isso de nenhum modo aponta uma alteração dos padrões. Essa elevação reflete principalmente o forte aumento da produção de certos tipos de equipamentos, como caminhões e outros veículos, depois da grande queda em 2020. Além disso, falta verificar por quanto tempo se manterá uma taxa em torno de 22%. Depois, essa porcentagem, apesar de superior à média de duas décadas, ainda seria insatisfatória para as necessidades do País. Em outros emergentes, a formação de capital fixo normalmente supera esse padrão.

Nos últimos dez anos o desempenho econômico do Brasil foi nitidamente inferior ao da maioria dos países de renda média. O País cresceu menos, poupou e investiu muito menos e foi menos capaz de se integrar nas cadeias globais de produção. Enquanto outras economias emergentes participaram de acordos e ingressaram em novas áreas de comércio, o Brasil permaneceu pouco aberto, perdendo múltiplas oportunidades de intercâmbio e de absorção de investimentos e de tecnologia. Alguns grupos, privilegiados pela política oficial, prosperaram e até ganharam projeção global, mas a maior parte da indústria e dos serviços pouco participou do jogo mais amplo.

O atual governo quase nada fez para mudar esse quadro. A economia permaneceu fechada, incapaz de se beneficiar até do acordo entre Mercosul e União Europeia. Durante a maior parte do tempo essa administração defendeu bandeiras antiglobalistas. Seu antiambientalismo criou riscos para o setor mais eficiente da economia nacional, o agronegócio. Diante da pandemia, seu negacionismo e sua desastrosa política sanitária, causadora de atraso na vacinação, dificultaram a retomada. A tudo isso é preciso somar as tensões criadas pelo presidente da República, o maior fator de insegurança econômica do Brasil.

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