União nacional

Só com vacinas e adesão ao isolamento social podem-se evitar ainda mais mortes

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2021 | 03h00

O País assiste apreensivo à evolução da curva epidemiológica da covid-19 acompanhada por especialistas há meses. Os alertas sucessivos não evitaram o pior. A média móvel de mortes diárias ultrapassou o patamar de 2 mil pela primeira vez desde o início deste flagelo. Apenas em São Paulo, cerca de 700 pessoas morreram em um único dia em decorrência da doença – 93 delas na fila de espera por leitos nos hospitais de 25 municípios, inclusive da capital.

O Brasil enfrenta o “maior colapso sanitário e hospitalar de sua história”, na definição da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Faltam leitos para socorrer todos os doentes. Faltam anestésicos para intubação. O estoque de cilindros de oxigênio é precário. Mas, ainda que em um esforço hercúleo de gestão todos estes insumos fossem providos, falta o essencial: profissionais de saúde, em especial intensivistas. E este não é um ativo que se encontra nas prateleiras. As equipes estão exauridas.

É imperativo interromper sem mais delongas o ciclo de transmissão do coronavírus. E isto só pode ser feito de duas maneiras, basicamente: por meio da vacinação em massa da população ou, enquanto este processo não atingir um patamar mínimo para frear o espalhamento do vírus, por meio de medidas que restrinjam o contato entre as pessoas. Não há elixir, não há saída fácil. A extrema gravidade da situação impõe união nacional, das mais altas esferas de poder ao mais anônimo dos cidadãos, para salvar vidas.

A opção mais segura para fazer cessar a espiral de mortes, sem dúvida, é avançar rapidamente com a vacinação da população. Em paralelo, os cidadãos que podem devem permanecer isolados em suas casas. Isto é capaz de salvar vidas já nas próximas duas semanas. Outra opção é insistir no combate a hábitos perigosos até que, enfim, o isolamento social interrompa a circulação do vírus, mas a um alto custo em vidas. 

Por mais absurdo que possa parecer a esta altura, não há cronograma confiável indicando quando o País terá vacinas em quantidade suficiente para imunizar toda a população. A responsabilidade individual é mais necessária que nunca para mitigar os efeitos da desídia do governo federal.

No entanto, um número expressivo de cidadãos ainda desrespeita as normas de segurança determinadas pelas autoridades sanitárias, seja porque precisam, seja porque desdenham da doença e da dor de seus concidadãos. Aliada ao mau comportamento, a circulação de cepas mais contagiosas do vírus aumenta o tempo de internação – comprometendo a capacidade de atendimento das equipes hospitalares – e acomete pessoas cada vez mais jovens.

Em São Paulo, a ocupação dos leitos de UTI está em 89,9% (90,6% na Grande São Paulo). No pico da pandemia no ano passado, no dia 29 de julho, havia 6.250 pessoas internadas em UTI no Estado. Hoje há 10.756.

O Palácio dos Bandeirantes anunciou um pacote de medidas para socorrer empresas que devem permanecer fechadas e baixar o custo dos alimentos para os paulistas. São medidas que, ao fim e ao cabo, contribuem de alguma forma para a permanência em casa no momento mais difícil desta crise. A ampliação de feriados, formando praticamente uma semana sem trabalho, também será uma boa providência para quebrar a cadeia de transmissão do vírus.

É bom lembrar que os brasileiros estão morrendo por uma doença contra a qual já existem seis vacinas. Todos os esforços nacionais, portanto, devem ser dedicados à compra e aplicação destas vacinas o mais rápido possível. Enquanto isto não ocorre, que todos os que podem ficar em casa o façam em um esforço de união nacional.

É em momentos de grave ameaça como este que os cidadãos devem se unir em torno de propósitos comuns demonstrando que formam uma Nação.

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