USP vai bem, mas pode melhorar

Investimentos em internacionalização e em excelência podem melhorar posição global da melhor universidade do Brasil

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2022 | 03h05

A Universidade de São Paulo (USP) está entre as 100 melhores do mundo nas cinco áreas classificadas pelo QS World University Ranking: Ciências da Vida e Medicina (61.ª), Artes e Humanidades (68.ª), Ciências Sociais e Administração (74.ª), Ciências Naturais (77.ª) e Engenharia e Tecnologia (96.ª).

A USP está entre as 50 melhores em 11 das 51 áreas específicas, com destaque para Odontologia, na 11.ª posição, além de Engenharia de Minérios e Minas, Engenharia do Petróleo, Geografia, Línguas Modernas, Veterinária, Antropologia, Arquitetura, Agricultura, Ciências do Esporte e Sociologia. 

O ranking avalia os seguintes indicadores: reputação acadêmica e entre empregadores, proporção entre professores e alunos, citações e quadros internacionais.

O principal pilar que mantém a USP como a melhor universidade do Brasil e uma das melhores da América Latina é o compromisso do Estado de São Paulo com investimentos acadêmicos, especialmente por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa, criada em 1962. No ranking QS, das 5 universidades brasileiras entre as 500 melhores, 4 são de São Paulo: USP (121.ª), Unicamp (219.ª), Unifesp (434.ª) e Unesp (492.ª).

A USP deu exemplos de pioneirismo: a ênfase na dedicação integral dos docentes, na década de 60; a consolidação da pós-graduação, na de 70; a autonomia financeira, na de 80. Nos últimos anos, ela se aproximou mais da sociedade. Segundo o Times Higher Education, é a 48.ª universidade mais comprometida com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Mas há vulnerabilidades. Algumas são estruturais. As instituições nos topos dos rankings são de tamanho médio para pequeno, com menos de 20 mil alunos. A USP tem quase 100 mil. Esse gigantismo traz problemas crônicos de gestão, como os orçamentos engessados e comprometidos pelo excesso de servidores administrativos. O corporativismo burocrático também prejudica o princípio do mérito. O tamanho da USP eleva as suas posições nos indicadores que medem a quantidade de produção, mas tende a rebaixá-la nos que medem a qualidade, como prêmios, visibilidade das publicações e internacionalização.

O baixo grau de internacionalização é uma das suas maiores vulnerabilidades. A capacidade de atrair professores e alunos do mundo é sinal de uma marca internacional forte. Além de facilitar o intercâmbio das melhores práticas, ideias e habilidades valorizadas no mercado de trabalho, isso atrai investimentos.

Esse é um dos fatores que explicam, por exemplo, a evolução da Universidade de Buenos Aires no ranking QS: da 230.ª posição para a 69.ª em 10 anos. Na proporção de alunos e professores internacionais, ela tem, respectivamente, 71 e 52 pontos em 100. A USP tem 3 e 2.

A USP tem lições a dar às outras universidades brasileiras, mas todas têm lições a aprender das universidades internacionais. Nações desenvolvidas, como Alemanha, França e Espanha, e em desenvolvimento, como Coreia do Sul e China, vêm obtendo melhoras expressivas nos rankings com programas para intensificar a excelência e ampliar a sua internacionalização.

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