Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Carência de tudo

Passaram os últimos 17 anos preocupados em tirar especialistas da assistência para baratear custos, à custa de mortes da população pobre. Só falavam em saúde básica, pondo outros profissionais para fazer o serviço médico, técnicos em saúde cubanos e formados fora, para enrolar a população. Abriram faculdades de Medicina de fundo de quintal, como se formar um bom médico fosse algo trivial, achincalhando a medicina e os médicos com salários horríveis e sem condições de trabalho. Tampouco criaram a carreira de Estado, ignorando o que a gente falava. Agora Inês é morta. Certamente muitas mortes se deverão a essa falta de estrutura. Estamos fazendo o possível e continuaremos a salvar vidas, mas se até nós não estamos conseguindo nos proteger, imaginem a população. A conta chegou. Realmente, não há especialistas nem equipamentos suficientes. Aprendam a nos ouvir, medicina não é brincadeira!

RAPHAEL CÂMARA MEDEIROS PARENTE, médico, conselheiro federal de medicina

RAPHAELCMPARENTE@HOTMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Jus ao nome

A pergunta que não quer calar: quando é que o PT, dito Partido dos Trabalhadores, verdadeiramente vai pôr a mão na massa e começar a se preocupar e defender os empregos dos trabalhadores brasileiros?

VANDERLEI ZANETTI

ZANETTIV@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cálculo de probabilidades

Cassar o registro do PT até é possível. Já reaver o produto da roubalheira...

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Clima de Fla-Flu

A cada divulgação dos resultados do surto de covid-19, presidente e governadores esperam que as notícias confirmem suas opiniões. Assim, o presidente torce para que o número de mortes e de infectados diminua, enquanto governadores parecem aguardar o contrário. Cada um, na sua vaidade, querendo ser contemplado com bons resultados nas pesquisas, visando a eleições futuras. Quem se importa de verdade com a vida dos cidadãos?

DARCY MARTINO

DARCYMARTINO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Salvação nacional

Em função da exacerbação ideológica que o Brasil vive já há alguns anos e da dilaceração política patrocinada por oportunistas e populistas que só têm olhos para as eleições de 2022, nosso país talvez seja o único no mundo onde uma crise de saúde pública da magnitude da que estamos vivendo venha a descambar para uma séria crise política. É preciso que todas as nossas lideranças parem, avaliem suas atitudes, pensem e concentrem suas ações visando à salvação da Nação.

JOSE JOAQUIM ROSA

JOSE.ROSA1945@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Desperdício

O cenário da covid-19 é incerto. O isolamento social, que comprovadamente diminui a velocidade de contágio, é ameaçado pela pobreza e pela desigualdade social, deformidades impressas no caráter de nosso país e até agora incurável. “Ninguém é capaz de saber se algum agente público sairá forte politicamente ao final da grande tempestade” (Coluna do Estadão, 5/4, A4). Nossos delirantes políticos, imaginam ter bola de cristal e se esmeram em tirar proveito eleitoral da crise. Mas a realidade é que não há garantia de que a posição assumida redunde em votos nas urnas. Convençam-se: não há boia salva-vidas! Que desperdício de tempo e de energia...

SANDRA MARIA GONÇALVES

SANDGON46@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Momento de despertar

O Brasil finalmente está conhecendo os brasileiros e suas reais necessidades. Não existe mais lugar para promessas, mentiras e fantasias políticas. Vai faltar dinheiro para sustentar o tamanho das despesas dos governos. Agora é, tragicamente, a hora: acorda, Brasil!

CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Respostas do legislador à crise

Os gregos davam mais importância ao princípio da isegoria (hoje, igualdade) entre seus cidadãos do que ao princípio da liberdade, em razão das guerras constantes. Os efeitos deletérios de uma crise devem ser suportados igualmente por todos os agentes econômicos. As medidas em favor dos desfavorecidos devem ser as primeiras, porém não as únicas. A suspensão da exigibilidade das obrigações por meio coativo (respeitado o cumprimento consensual, portanto), judicial e extrajudicial, nos campos do direito tributário, bancário, civil e comercial, excetuadas as derivadas de ilícitos, deveria vir de pronto, por lei ordinária. A “PEC de guerra” é uma síntese solene e pesada; os problemas que se apresentam diariamente e que, tal como o vírus, se multiplicam, entendo que melhor seriam respondidos prontamente pelo legislador ordinário.

AMADEU R. GARRIDO DE PAULA

AMADEUGARRIDOADV@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Carnê-leão

Para estes tempos de pandemia, em que o governo está tentando ajudar o povo, sugiro ao ministro da Economia, Paulo Guedes, desobrigar as pessoas de recolherem o carnê-leão e simplesmente usarem a Declaração de Imposto de Renda, já que aquele é uma antecipação do imposto que será declarado no ano seguinte e muitas vezes tem de ser devolvido pela Receita Federal, em razão de abatimentos na declaração (recolhido antecipadamente e devolvido um ano depois!).

FILIPPO PARDINI

FILIPPO@PARDINI.NET

SÃO SEBASTIÃO

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Reflexão

Com o confinamento por causa do coronavírus, cidades desertas são visitadas por animais selvagens. É hora de refletirmos sobre o que fazemos com a natureza e respeitá-la mais.

SÉRGIO ECKERMANN PASSOS

SEPASSOS@YAHOO.COM.BR

PORTO FELIZ

FINALMENTE!


Os dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmaram que o dilema entre salvar vidas ou salvar empregos é um falso dilema, e que, na atual crise mundial de pandemia do coronavírus, o que deve ser feito é dar apoio financeiro às populações mais necessitadas e a países de todos os continentes. Ah, mas, então, sempre foi possível fazer isso, em todo este longo tempo até aqui, e agora, neste momento de pandemia que ameaça, finalmente, todos, sem distinção de renda, sexo, cor ou origem? Finalmente! Nada como ver-se diante da verdade, simples e fácil, e declará-la. Bem-vindos ao mundo dos humanos, senhores dirigentes mundiais! Bem-vindos a todos os países de todos os continentes, a todas as gentes, até às mais necessitadas, sim, finalmente!


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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A PRIMEIRA MORTE


O G1, da Globo, e outros sítios noticiosos revelaram na semana passada que a primeira morte por coronavírus no Brasil ocorreu em 23 de janeiro de 2020: mulher, 75 anos, em Minas Gerais.  Fonte citada: Ministério da Saúde. Em 30 de janeiro, Wuhan, na China, com 11 milhões de habitantes, completava semana do isolamento total decretado pelo governo da China. 25 de janeiro, 41 mortos, 1.287 infectados, a maioria em Wuhan e em outras 13 cidades da província de Hubei. O alarme ressoava na mídia mundial, menos na brasileira, onde a pauta estava montada para o carnaval: da sexta-feira 21 de fevereiro à Quarta-Feira de Cinzas, 26 de fevereiro. O governador paulista, João Doria, deliciava-se sob os holofotes com multidões sucessivas em delírio pelas avenidas da megalópole, praias lotadas no Rio, em Salvador, em Fortaleza. E o coronavírus na folia. Lúgubre. Sinistro. Silencioso, como convém à peste, à morte. A gritaria se politizou quando Doria, à frente de alguns governadores, e a Globo, na vanguarda do caos insuflado pela grande mídia – perdidas as tetas fáceis do dinheiro do povo da era PT de Lula e Dilma –, farejaram, como moscas varejeiras, a oportunidade de desestabilizar o governo e derrubar o presidente da República, vale-tudo jornalístico sem precedentes na história da imprensa nacional.


José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém


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CARNAVAL


Desde janeiro as autoridades sanitárias e constituídas de São Paulo sabiam que o coronavírus estava chegando e que iria entrar no Brasil pelo Aeroporto de Guarulhos. Há vídeos em profusão na internet comprovando isso. A pandemia estourou por aqui na primeira quinzena de março, por volta de duas semanas depois do carnaval, uma vez superado o tal período de incubação. Perguntas: por que Bruno Covas e João Doria não cancelaram a festa na capital e em todo o Estado? Isso foi perguntado ao entrevistado no último Roda Viva, Átila Iamarino, que deu uma resposta para não se comprometer, só afirmando que “certamente o vírus já estava por aqui”. A justificativa para não terem proibido o carnaval é óbvia: o lucro auferido durante o reinado de Momo em São Paulo, o maior Carnaval de rua do Brasil de uns tempos para cá, é enorme, envolvendo o aquecimento do comércio em geral, sobretudo dos ramos hoteleiro e de restaurantes. Ademais, onde estaria a coragem destes senhores de tomar uma medida impopular como esta, pondo, na ótica míope deles, inegavelmente em perigo suas futuras disputas eleitorais? Não pensaram como estadistas, lamentavelmente. Se assim tivessem agido, certamente hoje seriam aclamados pela população e se tornariam imbatíveis nos próximos pleitos que viessem a disputar. Como se vê, nem sempre Covas e Doria puseram a vida humana à frente de interesses outros. Se tivessem feito isso há dois meses, provavelmente não estaríamos passando o que hoje estamos vivenciando principalmente na capital. O gozado é que eles acusam o presidente da República de ter um pensamento mesquinho, imputando-lhe prática idêntica à que adotaram. É estranho que a grande imprensa, sempre tão atenta e exigente ao atacar o presidente Jair Bolsonaro, não levante essa questão que todos discutem em todas as rodas: por que não foram impedidos os desfiles dos blocos carnavalescos de rua e das escolas de samba?


José Antonio Braz Sola jose.sola@globomail.com

São Paulo


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JAIRZINHO, O DONO DA BOLA


Ao ler o editorial de sábado no jornal O Estado de S. Paulo (Sabotagem, 4/4, A3) e em minha quarentena, me inspirei em escrever este pequeno texto: nestes tempos de recolhimento, passamos o dia inteiro nos reinventando. Hoje, num momento de descontração, relembrei os jogos de futebol de rua. A turma costumava se reunir todas as tardes. Primeiramente, tinha de escolher os dois times. O Pedrão e o Zelão (os mais velhos da turma) eram os responsáveis pela escolha dos jogadores. Aquele que ganhava no par ou ímpar iniciava a escolha. E o primeiro escolhido era Edinho, um verdadeiro craque, atacante que sempre fazia mais que um gol em cada partida. O segundo era o Manezinho (apelido do Manuel da terceira série), ponta direita de primeira. Seus dribles pareciam balé. “Servia” o amigo Edinho com maestria. E as escolhas continuavam. O último a ser escolhido era o Jairzinho. Todos sabiam que ele era o primeiro da classe em todas as matérias, mas, no futebol, não rendia. E era aquele que sempre queria arrumar alguma briga. A tática do time em que o Jairzinho jogasse era deixar o time “penso” para o lado no qual ele não estivesse. Se jogasse na esquerda, o time estava na direita. E vice-versa. Após a escolhas dos “craques”, era necessário revisar a qualidade da bola. Era feita de pano pela mãe do Paulo Cesar (costureira de mão cheia). Após a conferência, iniciava o jogo. Entre brigas e discussões, terminava com muita alegria. Um belo dia, o Jairzinho chegou com uma grande novidade: seus pais tinham comprado uma bela “bola de capotão”. Modelo parecido com a usada na última Copa. Um luxo só! Quando o Pedrão pediu para dar uma olhada na “redonda”, o Jairzinho fez uma exigência: “Eu deixo você ver, se eu puder escolher o meu time”. “Afinal, eu sou o dono da bola”. Após alguns minutos de silêncio, o Pedrão aceitou a exigência. E assim foi feito. Todos os dias ele trazia a sua bola e escolhia seu time. E quando o ameaçavam a tirar do time, ele falava que levaria a bola embora, afinal, “a bola é minha”, dizia com arrogância. E ele continuava jogando, porém a tática de seu time continuava a mesma. O Jairzinho somente pegava na “sua” bola quando ela saía para arremesso manual. Bom tempo aquele. Até hoje temos “donos de bola” que só jogam o jogo por esse motivo. (4 de abril de 2020, tarde de sábado de quarentena.)


Edson Medeiros elmer.corretor@gmail.com

São Paulo


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ABSOLUTISMO


L’Etat c’est moi, Luís XIV, França. “O presidente sou eu, pô!”, Bolsonaro, crise da covid-19.


Nivaldo Ribeiro Santos nivasan1928@gmail.com

São Paulo


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INCERTEZA GERA GRANDE DÚVIDA


“O presidente sou eu, pô” (sic). Tem certeza?


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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EIS O PRESIDENTE DA REPÚBLICA


presidente da república (em minúsculas), contrariando todos os infectologistas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a opinião majoritária do Brasil, é contrário ao isolamento social. Foi mais longe: disse que a covid-19 é “uma gripezinha” e que as pessoas têm “medinho” dela; desdenha do sofrimento dos contaminados e de suas famílias dizendo que “alguns” morrerão e que, afinal, “todos morrerão um dia”; e, finalizando, disse que o povo (brasileiro) está acostumado a mergulhar no esgoto sem apanhar doenças. Este é o presidente da república que temos para hoje. Durmam com um barulho desse.


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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‘A PEDRA NO CAMINHO’


O editorial A pedra no caminho (31/3, A3) me fez lembrar também de um curto, mas profundo, poema de Ana Cristina Cesar (1952-1983): “Lá onde cruzo com a modernidade, e meu pensamento passa como um raio, a pedra no caminho é o time que você tira de campo.” As sábias palavras da poeta ganham importante significado político para o momento atual.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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SALVEM O PRESIDENTE (E NÓS TAMBÉM)


Assistimos todos os dias, o dia inteiro, a mídia combatendo ferozmente o presidente. Se ele der um espirro, logo alguém vai falar que ele deveria estar usando máscara... e assim vai. Faço a pergunta: será que nestes 15 meses este governo não fez nada de bom? Não acho isso possível. Também acredito que cometeu erros, secundado, entre outros, pelos 3 irmãos metralhas (01, 02 e 03), e por isso toda a sua assessoria e demais forças políticas do País deveriam cercá-lo e procurar tirar o que de melhor ele possa produzir. Queiramos ou não, ele é o presidente eleito, de quem depende muita coisa neste país. Imaginem um navio sob o comando de um comandante errático, e todos os imediatos, navegadores, maquinistas e toda a marujada somente se opondo. O navio uma hora vai afundar. É como nós estamos. Precisamos de participações construtivas para chegarmos a um porto seguro!


Gerson de Carvalho Alvite patriarca@patriarca.com.br

Santo André


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O TERMÔMETRO DO BOLSONARISMO


Carluxo deve aumentar o custo e, antes de calculá-lo, basta o valor do que já se sabe. O desgaste do Planalto é alto em função do conjunto dos Bolsonaro. Quando Mourão elogia Geisel, então, está sendo claro: Bolsonaro tem de suportar o único general do rodízio da ditadura do qual não gosta sequer de ouvir falar. Paulo Guedes também deve arrepiar-se, tremendo-lhe todo o liberalismo. Calculem Geisel e socialismo na mesma ação: foi o que fez Mourão ao encontrar-se com o governador Flávio Dino. Aqui embaixo, no nível do mar, não dá para ver como anda a correlação de forças no Planalto. Carluxo, no mínimo, nos fornece um bom termômetro.


Antônio M. de Medeiros da Rocha maximojeremias@gmail.com

Rio de Janeiro


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PACIENTE BRASIL


Sobre a matéria ‘Um médico não abandona o paciente’, diz Mandetta (Estadão, 3/4), o ministro da Saúde é médico especialista em que área? Infectologista? Mesmo sendo, nós, familiares do paciente (Brasil), não podemos ter uma segunda opinião? Por que não se constitui uma equipe de infectologistas que, com conhecimento pertinente, possa dar uma opinião mais abalizada? Não estamos tratando do paciente Brasil, país tropical, com temperaturas acima de 20 graus, inapropriadas para a disseminação do vírus chinês?


Francisco Gomes Machado fmachadosp@uol.com.br

São Paulo


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O CANTO DAS SEREIAS


Mandetta deixou-se levar pelo canto das sereias!


Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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EMPREGOS NO PÓS-CRISE


A Nação vive uma crise profunda, mas devemos nos recordar das palavras do papa Francisco, de que “cada crise esconde uma boa notícia” e que “é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração”. Não será diferente desta vez, pois patrões e empregados precisarão afinar os ouvidos do coração para enfrentar a fase pós-quarentena. Os empregados não poderão fechar os ouvidos à realidade de que seus patrões passaram um logo período sem poder abrir seus estabelecimentos, atender clientes, vender e prestar seus serviços. Suas reservas financeiras estão baixas, o caixa quase zerado e, mesmo assim, terão pagamentos diversos. Muitas empresas não conseguirão passar por esta fase e fecharão as portas. Para manter seus empregos, os empregados deverão colaborar com sua cota de sacrifícios. Os patrões deverão afinar seus ouvidos do coração para a realidade de seus empregados, cuja única fonte de renda é seu salário. Os empregados continuarão tendo de pagar aluguéis, alimentar-se, vestir-se. A demissão de um empregado não atinge somente ele, mas toda a sua família. Nenhum esforço para preservar empregos e renda será em vão. Como partes da Nação, patrões e empregados deverão se unir, pois todos estão no mesmo barco. Nem sempre o olho por olho será a melhor solução, pois isso poderá fazer com que todos fiquem cegos: empresas fechando e empregados sem empregos.


Luciano de Oliveira e Silva Luciano.os@adv.oabsp.org.br

São Paulo


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A INADIMPLÊNCIA DOS PODEROSOS


Pequenas e médias empresas brasileiras estão sendo objeto de ataques do poder de grandes grupos econômicos e poderosos. Não querem pagar as sua compras já recebidas e utilizadas e os serviços já realizados, entre outras barbaridades, como no caso relatado no Estadão de 3/4, na reportagem em que mostra a disposição da Raízen-Shell e Cosan em unilateralmente decretar moratórias e cancelamentos de contrato à sua conveniência e bel prazer (Com crise do coronavírus, empresas começam a pedir revisão de contratos na Justiça). Essas grandes estão praticando absurdos no mercado, desamparando financeiramente empresas muitíssimo mais vulneráveis do que as suas algozes. Estão covardemente se aproveitando da vulnerabilidade dos pequenos que lhes atendem, muitas vezes em regime de escravidão contratual, para salvar a sua pele sacrificando os mais fracos. É preciso que o governo e os Ministérios da Economia e da Justiça, bem como o Poder Judiciário, se apercebam logo deste jogo antiético e rasteiro que já estão praticando. Quem precisa de proteção são os pequenos e médios, que aqui empregam muitos, e não os grandes conglomerados que se importam somente em não ser impactados fortemente pela crise, transferindo-a para os que não suportam mais.


Manoel Sebastião de Araújo Pedrosa link.pedrosa@gmail.com

São Paulo


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MAIS UMA


O Conselho Monetário Nacional (CMN) informou ontem que vedou temporariamente a distribuição de resultados e o aumento da remuneração de administradores das instituições financeiras como parte de medidas que o Banco Central (BC) está adotando para enfrentar a crise do coronavírus. Segundo o BC, o objetivo é evitar “o consumo de recursos importantes para a manutenção do crédito e para a eventual absorção de perdas futuras”. São medidas preventivas, como esta, diante do que espera tão logo se reduzam as cautelas pelo coronavírus. Devagar vamos afundando e não tem saída. O que não foi produzido e/ou consumido não será mais, e o reinício será do zero, melhorando aos poucos, mas não o suficiente para restabelecer a ordem econômica e social. Até quando não sei e creio que poucos saberão, exceto chutes irresponsáveis. Se nossa economia fosse sólida, o que não ocorre desde o Império, o sofrimento seria menor e mais bem distribuído no tempo. Todavia, com o nível político adicionado aos anos petistas, pouco podemos esperar. Ah, que falta fazem aqueles milhões financiando obras e enviados a ditaduras e países esquerdistas!


Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo


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JUSTIÇA


A opinião de leitores é, em geral, ignorada pelas autoridades monetárias, mas os leitores têm de observar às vezes o primarismo de certos posicionamentos que não funcionam para soltar as amarras da economia em momentos vários, mas prementes como este da pandemia do coronavírus. Vários leitores do Estadão já mencionaram que a liberação do dinheiro ganho na Justiça por antigos detentores de cadernetas de poupança durante os chamados planos econômicos de 30 anos atrás deveria ser agora feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF). São bilhões de reais, mas que de nenhuma maneira iriam colocar em risco a solidez dos bancos. A ameaça de suas sempre privilegiadas posições foi o motivo alegado para que infelizmente o Supremo fosse levado ao engodo de aceitar um acordo que lesou tanto os velhos investidores em poupança que eles não aderiram, preferindo morrer a doar suas poupanças aos banqueiros. Poucos acordos foram firmados com enormes vantagens aos bancos. A grande maioria de idosos aguarda que a Justiça um dia acorde e faça o que já deveria ter feito: justiça.


Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo


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ANIMAIS ABANDONADOS


Um apelo que faço às pessoas: não abandonem seus animais neste momento. Eles não pegam nem transmitem covid-19 e o abandono é um ato de covardia. Espalhem esta palavra a seus conhecidos. Evitemos tragédias ainda mais desumanas.


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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COVID-19 E A ESTATÍSTICA


Numa visão estatística (sou engenheiro) dos dados do avanço da covid-19 no Brasil, concordo com o biólogo Fernando Reinach, quando ele diz que o números de casos confirmados e registrados não corresponde ao número de óbitos também diariamente registrados, pois existem muitos casos de efetiva contaminação que não foram testados. Assim, o valor correto de uma avaliação de letalidade deveria levar em conta um aumento (de difícil avaliação) no número de casos positivos. De acordo até aqui, mas... é preciso ainda levar em conta outro erro também evidente, mas até agora ignorado: como o registro do óbito não ocorre normalmente na mesma data do registro do caso positivo, mas sim depois de um intervalo de alguns dias (muito provavelmente, os óbitos correspondentes aos casos registrados ontem ainda não ocorreram, só devendo ocorrer depois do intervalo médio, calculável sem muita dificuldade, neste caso, o valor correto seria uma diminuição no número de casos positivos. Conclusão: o melhor índice para avaliarmos a ameaça da covid-19 é o acompanhamento da taxa de óbitos por 24 horas. E seria muito bom, e nada difícil, divulgar diariamente a idade média dos óbitos.


Luiz Antonio Ribeiro Pinto larprp@uol.com.br

Ribeirão Preto


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DESPROPORCIONALIDADE


Acaso alguém já teve a curiosidade de perguntar aos seus botões como é possível que um país como a China, com aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes, possa ter tido 3,3 mil mortos por covid-19? Parece que há mais mistérios entre a China e os demais países ocidentais além daquilo que a inteligência possa captar, ou que interesses escusos queiram aclarar. Quem viver verá!


Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém


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NA COMPARAÇÃO...


População de Nova York, 8,6 milhões de pessoas; população de Wuhan, na China, 11 milhões; e condições de higiene e hábitos alimentares muito melhores em Nova York; então como é que a epidemia não é maior lá, em Wuhan? Como a epidemia não chegou a Xangai e a Pequim? Será por que lá vivem os dirigentes do Partido Comunista Chinês?


Carlos Roberto Gomes Fernandes crgfernandes@uol.com.br

Ourinhos


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CONTRASSENSO


Na página A12 do Estadão de 6/4 temos um grande contrassenso: Ronaldinho Gaúcho preso e José Maria Marin solto. Este corrupto deveria cumprir longa quarentena na Papuda (assim esperamos).


Hamilton Penalva hpenalva@globo.com

São Paulo

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