Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2020 | 03h00

Corrupção

Dinheiro sujo


Um membro do Senado brasileiro, Chico Rodrigues (DEM-RR), então vice-líder do governo Bolsonaro, foi flagrado com R$ 30 mil em espécie dentro das suas roupas íntimas. A constrangedora ocorrência foi escancarada ao longo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga desvios de recursos públicos, de que o senador é suspeito, destinados ao combate à pandemia de covid-19 e originários de emendas articuladas nas cúpulas invertidas da Praça dos Três Poderes. É provável que a prática não seja tão estranha ao senso de decoro de boa parte da classe política desta pobre terra de Pindorama, haja vista que em 2005, com o mensalão já impactando a sociedade, aquele que viria a ser um dos vice-líderes do governo petista na Câmara, o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE), e seu ex-assessor José Adalberto Vieira também protagonizaram um episódio de ocultação de valores financeiros, daquela vez cerca de US$ 100 mil, no mesmo recanto da indumentária. São alguns dos sinais que fazem o cidadão, de cujo bolso saem os recursos para sustentar tais representantes, se indagar: qual o futuro de um Estado que constrói a sua democracia, ou arremedo dela, em bases tão grotescas (para não dizer fétidas)?


PAULO ROBERTO GOTAÇ

PGOTAC@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO


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Cofrinho


Dinheiro na cueca é quebra de decoro ou depende de quem é a cueca e de quem julga o fato?


ELY WEINSTEIN

ELYW@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


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Bravatas e voadoras


A apreensão de dinheiro na cueca do senador Chico Rodrigues, ainda na condição de vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, passaria apenas como mais um escândalo proporcionado pela elite dos usurpadores do dinheiro público, escolhidos pelos saqueados e escondidos em Brasília. Mas é muito mais do que isso, pois representa um tiro no pé de efeito retardado dado pelo presidente Jair Bolsonaro quando decretou o fim da Operação Lava Jato. É também um recado direto para que ele contenha as suas bravatas e tesouras voadoras e entenda que a operação será eterna se depender da honestidade de nossos políticos e gestores públicos.


ABEL PIRES RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO


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Eden imaginário


Após tantas voltas a um passado político tenebroso, contrário às promessas eleitorais vencedoras, a discursos incríveis declarando o fim da corrupção e voadoras no pescoço em quem se corromper, além do País a todo o vapor, entre outras “mitadas” para a plateia cativa, surgem, inevitavelmente, imprevistos e incômodos. É admirável o contorcionismo argumentativo, pior, comparativo, que os apoiadores do presidente precisam fazer para tentar manter a imagem dele ilibada e sustentar o mito impoluto. Apesar do esforço, não está funcionando e não convence. Práticas erradas já sabidas de governos passados não justificam relevar erros atuais, independentemente da forma, da extensão e da escala. Resultado: desapontamento.


LUIZ A. BERNARDI

LUIZBERNARDI51@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Pingos nos is


Não há mais corrupção no governo. Só na cueca.


M. DO CARMO ZAFFALON LEME CARDOSO

ZAFFALON@UOL.COM.BR

BAURU


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Justiça e crime

André do Rap


Palmas para o STF, que formou maioria pela prisão do líder do PCC. Excelente notícia. Um belo trabalho dos nossos ministros. Agora “só” falta prendê-lo de novo, né? Mas isso não é mais com a Suprema Corte.


LUIZ ROCHA

DRLUIZROCHA@UOL.COM.BR

GUARULHOS


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Pedestal


Excelente a frase do advogado Adilson de Abreu Dallari, publicada neste Fórum dos Leitores (Pecado mortal, 14/10): “Para ler a lei basta ser alfabetizado, para interpretá-la é preciso ser jurista”. A ela se soma a observação do médico Nelson Mattioli Leite, publicada ontem também neste Fórum: “Para tratar a mesma doença em pacientes diferentes é necessário individualizar o tratamento. Se assim não fosse, bastaria um computador”. São especialidades diferentes, cabeças diferentes, para mostrar que o juiz Marco Aurélio Mello deve descer do pedestal onde se colocou como um deus da sabedoria.


MÁRIO MARINHO

MARIOMARINHO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Educação

Arregaçar as mangas


O artigo 47.874.246 motivos para arregaçar as mangas (15/10, A2), de Ana Maria Diniz, fundadora da instituição Todos pela Educação, deixa claro que os milhões de jovens e adolescentes existentes no Brasil na educação básica jamais podem ser considerados “geração perdida”, pois, segundo ela, é essa geração que pode mudar a Nação, e dependemos dela para formar um Brasil melhor, mais justo e próspero. E para uma educação de qualidade é preciso dar prioridade a quem ensina, ou seja, valorizar o professor. Sem dúvida, o artigo publicado no dia que homenageia o professor é oportuno. O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) criou o Prêmio Ruy Mesquita, Guerreiro da Educação – parceria Estado-CIEE –, que chamamos de “Oscar da Educação”, e todos os anos conferimos a um(a) professor(a) que se destaque na educação brasileira. Infelizmente, por causa do coronavírus este ano não houve a premiação, que vem sendo realizada desde 1997 – a primeira a receber a láurea foi a professora Ruth Cardoso. Parabéns pelo artigo e vamos todos – professores(as), escolas, entidades sem fins lucrativos da área da educação e assistência social, pais e população em geral – arregaçar as mangas por essas crianças e esses adolescentes e impedir que eles sejam, de fato, uma geração perdida.


ANTONIO JACINTO CALEIRO PALMA

ANTONIO.PALMA@CIEE.ORG.BR

SÃO PAULO



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



OPERAÇÃO DESVID-19


Já tivemos o caso do assessor do deputado federal José Guimarães (PT) flagrado com dólares na cueca. Agora temos o caso do senador Chico Rodrigues (DEM) flagrado com dinheiro nas nádegas (PF encontra dinheiro na cueca de vice-líder do governo Bolsonaro, Estado, 14/10). Estou muito curioso para saber onde será encontrado dinheiro no próximo caso.


Ely Weinstein elyw@terra.com.br

São Paulo


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EXEGESE


Pronto, o pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) já aprovou a prisão do traficante André do Rap. Só falta prendê-lo, não é, ministro Marco Aurélio Mello?


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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SUPREMO TITANIC


Sobre o iminente naufrágio moral da nau chamada STF, omitidos os nomes (por quê?), foi divulgado que supremos tripulantes não aprovaram a colisão entre o ministro Marco Aurélio Mello e o presidente da Corte, Luiz Fux, decorrente da liminar que deu liberdade ao perigoso bandido traficante André do Rap, líder do PCC. Segundo os “anônimos (?) nautas”, o desentendimento demandou a fadiga das máquinas propulsoras do plenário, afetando cada vez mais a credibilidade da empresa concessionária de serviços jurídicos. Ora, não é a primeira vez que os egos beligerantes de ministros chamam para si as manchetes da mídia, não lhes importando os estragos que causem à ordem constitucional, à sociedade e ao Poder Judiciário. Por que sempre se omitem ou só se manifestam em off? Covardia ou cumplicidade? Qualquer que seja a razão, é certo que onde existe muito barulho e tumulto estabelece-se o vazio. “Não dá mais para voltar, o barco está em alto mar.” A orquestra do Supremo Titanic Federal está a tocar, prenunciando o naufrágio da vazia embarcação, sem comando, sem lenço, sem documento. Segundo o Salmo 42:7: “Abismo chama outro abismo, ao rugir das tuas cachoeiras”. A Corte Suprema foi a pique, impedindo o resgate moral de sua ruidosa tripulação.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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CADA CABEÇA, UMA SENTENÇA


Há muito tempo a Justiça do Brasil vem sendo questionada à luz da lógica. No último fim de semana, ela mostrou como é confusa e cheia de meandros, por onde escapam criminosos perigosíssimos, inclusive os que se apropriam da coisa pública. Estes, com a sua defesa paga a caros advogados especializados nos meandros das leis. Como engenheiro, não entendo por qual motivo a Justiça não pode funcionar dentro de uma lógica, que atende a todos os princípios da moral, dos direitos dos réus e da defesa da sociedade, contra aqueles que infringem as leis. O resumo dessa verdadeira ópera bufa está no fato de que lei mais recente determinou a soltura de um réu preso há mais de 90 dias se o juiz que o condenou não tiver renovado o pedido de prisão preventiva. Ora, essa regra não tem lógica e, provavelmente, fere algum dispositivo da Carta Magna. Necessária, diante de milhares de réus pobres que aguardam por anos o seu julgamento, “ainda na primeira instância” – na prática, para eles não funciona, pois não podem pagar um bom advogado. No caso em questão, a situação é bizarra, pois o réu é um dos líderes do PCC que a polícia levou anos para capturar. Nem é preciso fazer qualquer cálculo para saber quão caro isso custou para a sociedade. O ministro Mello alegou que “onde a norma é clara e precisa não cabe interpretação”. “O que nós precisamos é nos acostumar a cumprir a lei.” Entretanto, ao ser questionado sobre as posições contrárias dos seus pares, inclusive do ministro Edson Fachin, disse “cada cabeça, uma sentença”. Ora, nessa frase o ministro Marco Aurélio Mello concordou que o problema da nossa Justiça é a falta de lógica. Se legisladores e juízes atentassem para a Lei de Murphy, bem conhecida pelos engenheiros, saberiam que “se algo puder dar errado, dará”. Sancionada pelo presidente Bolsonaro, contra a recomendação do então ministro Sergio Moro, a alteração no Pacote Anticrime que permitiu a soltura de André do Rap tinha tudo para dar errado, por estar mal redigida. Não tem lógica nenhuma ante a prática funcional da Justiça, proporcionando este verdadeiro passa-moleque. Se o STF estivesse voltado para a sua principal função, que é a defesa da Carta Magna, certamente teria corrigido o erro em plenário. Porém, na mixórdia em que se encontra a nossa Justiça, o STF está sobrecarregado. Isso ocorre graças à “instituição da chicana”, esperteza que já deveria ter sido debelada com uma legislação condenando tanto advogado chicaneiro como legislador de jabuti, por má-fé, para acabar com esta festa.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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DESAPONTADOR


O fim da obrigatoriedade de o juiz reavaliar a prisão preventiva em 90 dias e o retorno imediato da prisão em segunda instância deve voltar à mesa de discussão com a maior brevidade possível.  A asquerosa e desrespeitosa decisão do ministro Marco Aurélio, da ala dos desequilibrados do STF, causou enorme comoção em todo o País, cujo povo vive ultimamente sobressaltado com algumas decisões suspeitas da sua mais alta Corte de Justiça.  Convenhamos, o desatento ministro agiu pautado num exagerado formalismo e causou enorme prejuízo à Nação. Uma simples consulta, antes da reprovada e inconsequente decisão de colocar em liberdade um elemento perigoso, cuja prisão custou à polícia exaustivos seis anos de perseguição, seria suficiente para evitar este ato desairoso e ofensivo ao nosso sistema judiciário e ao nosso aguerrido e trabalhador povo. Esta semana, os principais jornais noticiam que outros traficantes presos reivindicam o mesmo direito e já exigem – pasmem – a sua liberdade, o que seria algo ultrajante. Eu não considero normal alguém questionar a decisão do ministro Luiz Fux ou alguém achar aceitável um criminoso perigoso ser solto com a complacência de um ministro do Supremo. Em resumo, uma vergonha!


Moacyr Rodrigues Nogueira Moaca14@hotmail.com

Salvador


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LEMBRETE


Temos de avisar o ministro Marco Aurélio de que há nas prisões cerca de 200 mil presos que não foram condenados nem em primeira instância. Como são pretos, pardos e pobres, não têm advogados que sejam amigos de Suas Excelências (fiquei em dúvida se deveriam ser letras maiúsculas), muitos certamente irão apodrecer muito tempo na prisão. Afinal, que importa? A Lei Áurea nunca “pegou”...


Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo


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RAP, FUNK OU QUADRILHA?


André do Rap é apenas e tão somente a última demonstração de que no Brasil da legalidade, a lei, seus entendimentos, decisões e sentenças não são de caráter jurídico, mas sim juridículos. Mais uma vez constato que a lei, que deveria servir a todos de maneira equânime, serve apenas aos interesses de alguns privilegiados, seus advogados caríssimos e seus executores. Rap, funk ou quadrilha, quem sempre dança é o povo.


Renato Otto Ortlepp renatotto@hotmail.com

São Paulo


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CEGUEIRA JURÍDICA


Eu, quando angustiado por ver tão tresloucada injustiça na soltura do criminoso André do Rap, levantada pela interpretação errática do ministro Marco Aurélio Mello, socorro-me de Vieira, que tem sempre a palavra certa, profética, para desnudar tais loucuras, apanágio de proposital ignorância, pois nem possível nem honesto dizer que Marco Aurélio não saiba a diferença entre o “espírito da lei” e a “literalidade da lei”. Lei nenhuma, em parte alguma do universo, jamais será feita para libertar criminoso, declarado e confesso. Então, socorri-me de Vieira e o que ele diz sobre a decisão do ministro: “Se os olhos veem com amor, o corvo é branco; se com ódio, o cisne é negro; se com amor, o demônio é formoso; se com ódio, o anjo é feio; se com amor, o pigmeu é gigante; se com ódio, o gigante é pigmeu; se com amor, o que não é, nem existe, ganha corpo, e tem ser; se com ódio, o que tem ser, e é bem que seja, não é, nem jamais será. Por isso se veem com perpétuo clamor da justiça os indignos levantados, e as dignidades abatidas; os talentos ociosos, encantonados (por lhes faltar padrinhos); e as incapacidades com o mando e o poder; a ignorância graduada, e a verdadeira ciência sem honra; a fraqueza com o bastão do poder, e o valor posto a um canto; o vício sobre os altares (e absolvido pelo ministro) e a virtude sem culto, e os inocentes aprisionados; os milagres acusados, e os milagrosos réus. Pode haver maior violência da razão? Pode haver maior escândalo da natureza? Pode haver maior perdição da República? Pois tudo isso é o que faz e desfaz a paixão dos olhos humanos, cegos quando se fecham, e cegos quando se abrem: cegos quando amam, e cegos quando aborrecem; cegos quando aprovam, e cegos quando condenam; cegos quando não veem, e quando veem muito mais cegos: ut videntes caeci fiant” (Tomo II – página 113). Lei não é sentimentos, lei é razão. Senhores, a cegueira de Marco Aurélio está aqui descrita e desnudada. A sociedade pergunta como não ter olhos para distinguir entre a literalidade da lei e o impositivo da razão: o espírito da lei? Não sabe ele, por acaso, que os 90 dias fixados na lei, segundo o espírito da lei que é a moral e a ética, é para que não se cometam injustiças de aprisionar inocentes; mas nunca, jamais, em tempo algum, para libertar réus confessos e já condenados? É de pasmar tamanha cegueira jurídica.


Antonio B. Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo


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IMPEACHMENT


Não seria hora de um impeachment do leviano ministro?


Albino Bonomi acbonomi@yahoo.com.br

Ribeirão Preto


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‘MARCO AURÉLIO, QUAL É A SUA?’


Mellar o Judiciário! Só para contrariar”, deve ter pensado o novo decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio Mello, ao ler a antológica coluna de Eliane Cantanhêde Marco Aurélio, qual é a sua? (Estado, 13/10, A10). “Juízes e ministros do STF não são robôs, que juntam o caso X com o artigo Y e apertam um botão”, resumiu Eliane Cantanhêde. Mas, ao que tudo indica, ao repetir duas vezes o mesmo procedimento que teve em relação a Salvatore Cacciola, o ministro Mello age como um algoritmo, acumulando e repetindo decisões equivocadas, levando ao pé da letra o que seria mais sábio interpretar pelo “espírito da lei”, como observaria Montesquieu...


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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SUPÉRFLUO TRIBUNAL FEDERAL


Se para decisões em tribunais basta “seguir a lei”, pergunto: para que servem os tribunais, STF inclusive?


Carlos Renato Napoleone crcaleidos@gmail.com

Agudos


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EGO


Qual é a de Marco Aurélio Mello, perguntou Eliane Cantanhêde. E a resposta me parece muito simples: soberba e arrogância, sem tirar nem pôr.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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CONDENADOS


A prepotência dos falsos deuses do Judiciário condena aos horrores do mundo os pequenos e reles mortais que lhes são submetidos.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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FORAGIDO


André do Rap está em Lins (lugar incerto não sabido).


Moisés Goldstein mg2448@icloud.com

São Paulo


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QUEM PAGA?


Depois deste fora soltando o perigoso traficante de drogas, o mínimo que os órgãos públicos encarregados de recapturá-lo deveriam fazer é exigir que o ministro Marco Aurélio Mello arque com os gastos dessa captura. O povo não merece mais este prejuízo.


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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MÃOS LAVADAS


O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, com a maior cara de pau, disse que o Ministério do Meio Ambiente é responsável por apenas 6% da área do Pantanal, e, assim, lavou as mãos sobre as queimadas que acontecem atualmente na região. Por outro lado, inadvertidamente, usou um produto químico questionável, chamado de retardante, para combater as chamas na Chapada dos Veadeiros, contrariando os malefícios desse produto, além de chamar os moradores de lá de “maconheiros”. Ora, pelo andar da carruagem, a cabeça do ministro é que é retardada, e não o produto usado ali. O ministro deveria pedir sua exoneração, para resolver a condenação de R$ 50 milhões imposta a ele pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por tramoias de quando foi secretário do governo paulista. Fica a dica!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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SENTENÇA DE MORTE PARA O PANTANAL


O ministro do Meio Ambiente acaba de decretar a sentença de morte para o Pantanal. Não, não haverá punição alguma para os responsáveis pelas piores queimadas de todos os tempos, ao contrário, o ministro convidou todos a repetirem as queimadas no ano que vem, que não haverá controle algum e nenhuma punição. Depois de uns quatro meses queimando, será feita uma nova encenação com meia dúzia de aviõezinhos jogando 500 litros de água, para mostrar para a Europa. Neste ritmo, o Pantanal estará completamente destruído em mais dois anos, abrindo caminho para o agronegócio, exatamente como o presidente Jair Bolsonaro sempre sonhou. Toda a fauna pantaneira será extinta, mas quem se importa? Ou o Brasil acaba com o governo Bolsonaro ou o governo Bolsonaro vai acabar com o Brasil.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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BRIGADAS CONTRA INCÊNDIO NO CAMPO


Suponho que todos tenham conhecimento da obrigatoriedade das empresas, incluindo na área de construções, edifícios residenciais e comerciais, e demais locações disporem de equipamentos de combate a incêndio. Em alguns casos, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) exige a criação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), para treinando do seu pessoal para o caso de evacuação em situação de incêndio ou qualquer outra situação de risco. Não vemos a mesma preocupação do legislador sobre o trabalho no campo. Os riscos, em geral, são ainda maiores, o emprego de maquinários de porte; exposição a agrotóxicos e, principalmente, no caso de incêndios. É sabido que desde as pequenas e também as grandes propriedades rurais ainda empregam queimadas para limpeza de áreas de pastos e lavouras, quando para agregar áreas de reserva legal – matas e vegetações que protegem as nascentes e margens dos rios – para torná-las produtivas e aumentar o seu ganho. Por isso intriga saber que as propriedades rurais – particularmente as com grandes extensões de terras – não sofram a mesma imposição legal, com as mesmas exigências, para atender as situações de emergência causadas pelos seguidos incêndios nas áreas rurais do Brasil. Não custa lembrar que esses cuidados, espontâneos, a meu ver, sem que houvesse obrigação legal, há tempos vêm sendo adotados pelas usinas e destilarias de açúcar e álcool. Talvez por motivos outros que não sejam a defesa das pessoas e do patrimônio alheio, mas sim, simplesmente, para impedir que o fogo nos canaviais para a colheita não alcancem outras áreas cuja plantação ainda não atingiu o ponto de corte. Sejam de pequeno ou de grande porte, propriedades devem dispor de equipamentos de combate a incêndio, independendo do tamanho e do número de empregados ou de moradores, e da criação de brigadas contra incêndio (com treinamento de moradores e empregados). Além disso, é indispensável que mantenham reservatórios de água e hidrantes, com mangueiras estrategicamente instaladas para uso em caso de emergência. Evidente, diante das grandes queimadas, tanto na Amazônia como agora, no Pantanal, por não terem qualquer controle do seu idealizador, por culpa stricto senso ou mesmo dolo, extrapolam com facilidade os limites das pequenas e grandes propriedades rurais, alcançando reservas legais ou mesmo plantações vizinhas. Então, fica aqui a sugestão: por que o Poder Legislativo não se mobiliza – em tempos de grandes perdas florestais e da fauna brasileiras – para criar e colocar em prática uma legislação moderna que obrigue particularmente os latifundiários inescrupulosos a manter brigadas contra incêndio em suas propriedades – inclusive com treinamento permanente de seu pessoal e de vizinhos e mantendo equipamento e água disponíveis –, como forma de amenizar ou até mesmo impedir tragédias como esta a que assistimos impávidos no Pantanal mato-grossense?


Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)


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FESTIVAL DE OFENSAS


O presidente Jair Bolsonaro e membros de seu governo não se importam em ofender nossa inteligência fazendo declarações absurdas, até uma criança sabe disso. O presidente declarou que acabou “com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo”, enquanto não são esclarecidos problemas bem pertinho dele (rachadinhas e o papel de Fabrício Queiroz, por exemplo). Numa entrevista ao correspondente da TV Alemã DW, o vice-presidente Hamilton Mourão declarou que o Brasil está se saindo muito bem no combate às queimadas na Amazônia e à covid-19; e até elogiou o regime militar. A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, por sua vez, achou a solução inusitada do “boi bombeiro”, que incentivará mais queimada e desmatamento. Parafraseando uma máxima popular, “um governo é tão bom quanto seu capitão e sua tripulação”.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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MÁ-FÉ


Muito elucidativa a entrevista concedida pelo vice-presidente Hamilton Mourão ao programa de TV Conflict Zone, da Deutsche Welle. Uma coisa ficou clara: a homogeneidade da má-fé da dupla eleita em 2018. A cada fala de Mourão fica mais clara sua total subserviência ao capitão e completa falta de sensibilidade quanto à inteligência do povo brasileiro. Isso é atestado quando disse ele que Carlos Alberto Brilhante Ustra “era um homem de honra”, e também quando disse ter sido “uma piada” sua afirmação recente de que “no Brasil está tudo sob controle, só não sabemos de quem”. Indo além do bom senso e da interpretação de nossa realidade, teve o desplante de afirmar que “deve ficar bem claro que não somos um governo militar (...) algumas pessoas no governo vêm do meio militar”. Fico estarrecido com o total descomprometimento de nossos governantes com a verdade. Um horror!


Nelson Penteado de Castro pentecas@uol.com.br

Sao Paulo


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NEM TUDO ESTÁ PERDIDO


Em tempos sombrios de fascismo, fake news e pandemia do coronavírus, não deixa de ser um alento e motivo de alegria saber do telefonema dado pelo papa Francisco ao padre Júlio Lancelotti, que defende os sem-teto na capital paulista. Duas pessoas de bem, que realmente praticam o amor ao próximo e que são motivo de orgulho para os verdadeiros católicos que seguem os ensinamentos de Cristo. O papa Francisco é exemplo positivo de humildade e humanismo, enquanto o padre Júlio é pura solidariedade e luta pelos mais pobres. Ambos mostram que nem tudo está perdido. No meio de tantos canalhas e corruptos no poder, ainda há pessoas boas, justas, humanas, com bons valores, princípios, de bom coração e que lutam por um mundo melhor, mais humano, digno, justo e fraterno para todos.


Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

 

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