Fórum dos Leitores

Carta de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2022 | 03h00

Meio ambiente

O Cerrado no escuro

O Brasil vai parar de monitorar o desmatamento no Cerrado a partir de abril. Com a esfarrapada desculpa de falta de verbas, o monitoramento feito pela equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) será paralisado, o que é um sonho para o presidente Bolsonaro e os criminosos do desmatamento ilegal. A sociedade brasileira deve se mobilizar em prol de outras formas de monitorar aquela região. Bolsonaro adota a mesma tática usada quando deixou de divulgar os dados da pandemia, o que obrigou à criação de um consórcio de veículos de imprensa para obter os dados e continuar divulgando para a população os números da covid-19 no Brasil. Se nada for feito nesse sentido no Cerrado, o bioma acaba nesta temporada de incêndios, não vai sobrar nada.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Legalizar o ilegal

Os deputados da Assembleia Legislativa de Rondônia aprovaram recentemente um projeto de lei que proíbe a destruição e inutilização de máquinas, veículos e outros itens apreendidos durante ações contra crimes ambientais. Foram, assim, frontalmente contra o inciso IV do artigo 72 da Lei Federal 9.605/98, sobre crimes ambientais, que prevê “apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração”. Para o boi dormir, o nobre deputado Alex Redano (Republicanos) sugeriu a doação dos equipamentos apreendidos a instituições que deles precisem. Talvez a ideia seja doá-los a quem possa aumentar o desmatamento da floresta e o garimpo ilegal do ouro. Com políticos deste miserável calibre, o Brasil não precisa de inimigos.

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Poupança

Saques superam depósitos

Não existe almoço grátis. O Brasil de Jair Bolsonaro é desalentador, e uma das consequências do retrocesso econômico e social deste período se vê nos saques da caderneta de poupança em 2021, que foram maiores que os depósitos em R$ 35,5 bilhões. A família brasileira está angustiada. Os salários dos novos contratados têm, em média, queda de 11% em relação ao início de 2020. O País tem 12,9 milhões de desempregados e 38 milhões de pessoas na informalidade, com baixa remuneração. A inflação está acima de 10%, corroendo sem dó o orçamento familiar. Com os juros nas alturas, produzir e consumir, hoje, no País está proibitivo. Diante disso e sem outra alternativa, a solução é, mesmo, sacar os recursos da preciosa caderneta de poupança.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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IPTU

Justiça social?

Eu era isento do IPTU, mas, com as novas regras e o aumento de 100% no valor venal do imóvel pelo ex-prefeito Haddad, perdi a isenção. Agora, minha parcela mensal do IPTU é de R$ 1.300. Com o aumento de 10% previsto para 2022, terei um reajuste de R$ 130. Já a minha renda de aposentado será reajustada em R$ 112. Isso é justiça social?

José Carlos Costa

policaio@gmail.com

São Paulo

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Fies

Descontos de até 92%

Tenho uma amiga cujo filho fez uso do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para cursar a faculdade. Formou-se e foi para o exterior. Paga religiosamente em dia o contrato firmado com a Caixa Econômica Federal e ficou indignado quando viu que os inadimplentes do programa terão, agora, um desconto de até 92% para pagar a dívida. De que adianta ser decente num país deste? É uma vergonha o que Bolsonaro fez, pura demagogia. Vale tudo pela reeleição.

Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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Museu Catavento

Elogio

Há anos o Estado publica cartas de leitores preocupados, em sua maioria, com o que ocorre de negativo no País. Eu faço parte deste grupo, mas hoje escrevo para elogiar. Levei minha neta ao Museu Catavento, que fica no centro de São Paulo, num prédio belíssimo do início dos anos 1900. É bonito de ver o capricho com que os administradores atraem a atenção das crianças e a gentileza dos monitores. Agradeço por encontrar neste museu o Brasil que sonho para nosso futuro.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

 

VETO TERATOLÓGICO

Em direito, costuma-se usar o adjetivo teratológico para não dizer monstruoso.  Assim se configura o veto de Bolsonaro ao projeto de lei que buscava um acordo de parcelamento entre o Fisco e as micro e pequenas empresas e pequenos empresários individuais. Aprovado por unanimidade pelo Legislativo, o projeto do Refis para esses atores econômico-sociais que sustentam a economia da nação geraria maior arrecadação do que a intransigência estatal proporciona, paradoxalmente. Melhores condições ao contribuinte evita a evasão ou a  inadimplência fiscal, ao contrário do que imaginam os cérebros privilegiados da assessoria econômica do presidente. O Legislativo precisa derrubar o veto - o que provavelmente fará - sob pena de um impasse tributário coroar a crise que se aprofunda dia após dia. 

Amadeu Roberto Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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DESTRUIDOR DE ESPERANÇA

O irresponsável presidente Jair Bolsonaro, mais para incendiário quando decidiu reajustar salários somente dos policiais federais, a um custo anual de R$ 1,7 bilhão, promove verdadeira revolta,  porque demonstra desprezo em relação aos demais membros do funcionalismo público federal.  Como divulga a matéria do Estadão (Protesto de servidores retém navios de trigo em Santos e carretas no Norte, 6/1). Ou seja, o presidente, que não tem olhar e respeito pelo Brasil, colhe o resultado da “operação padrão” dos servidores nos portos, que está prejudicando as nossas exportações e também os produtos importados pelas nossas empresas, que não são liberados de forma ágil.  E, para piorar, milhares de caminhoneiros vão ficar parados nos portos e perder novos fretamentos. O que se constata é que o Planalto está   promovendo um verdadeiro desmonte em áreas importantes da máquina pública. Porque centenas de funcionários qualificados estão entregando seus cargos, como já vem ocorrendo na Educação, Saúde, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), etc. Agora também na Receita Federal e no Banco Central, cujos funcionários,  inclusive, prometem uma paralisação nos próximos dias.  Ou seja, Bolsonaro, não governa, destrói a esperança dos brasileiros.  

Paulo Panossian

paulpanossian@hotmail.com

São Carlos 

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BRASIL AMEAÇADO

Quando assumiu a presidência, Jair Bolsonaro quis acabar com o Ministério do Meio Ambiente para abrir caminho para o crescimento insustentável do agronegócio. Desmatar a Amazônia e os demais biomas, acabar com as reservas indígenas, permitir a mineração com mercúrio, acabar com os parques nacionais e extinguir as exigências de reservas, até mesmo acabar com a preservação das matas ciliares. Se depender do presidente Bolsonaro, o Brasil será um gigantesco pasto. O próximo ato de destruição da natureza será acabar com o monitoramento das queimadas no Cerrado, com o objetivo claro e inequívoco de estimular ainda mais as queimadas e o desmatamento, a desculpa esfarrapada é de que não tem dinheiro para fazer o monitoramento, que custa 2,5 milhões de reais por ano, dinheiro de pinga. Ou o Brasil acaba com o governo Bolsonaro ou o governo Bolsonaro vai acabar com o Brasil.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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UNIÃO NECESSÁRIA

Fechamos a balança comercial de 2021 com superávit de US$ 61,008 bilhões. As exportações somaram US$ 280,394 bilhões, alta de 34%, pela média diária, em relação a 2020 e as importações ficaram em US$ 219,386 bilhões, aumento de 38,2%. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, alcançou US$ 499,780 bilhões, uma elevação de 35,8%. As vendas para China, Hong Kong e Macau, bloco de nossos principais parceiros, avançaram 28%. Para os Estados Unidos, aumentaram 44,9% e, para a União Européia, 32,1%. Mesmo podendo ser considerado bom, o resultado foi inferior à meta do governo, que era de sobrar US$ 70,9 bilhões no cofre.  Lembre-se, no entanto, que o realizado  é 8,9% maior que o recorde anterior obtido em 2017, mesmo com a pandemia e suas graves consequências. Não dá para concordar com aqueles que vaticinam o País na bancarrota. Com esse resultado comercial, o agronegócio, que está em plena produção; com lançamentos imobiliários em alta; e o mercado de veículos, aquecido, onde está a crise aguda? Problemas existem e os dotados de preparo e inteligência, em vez de lutar pela destruição dos adversários no governo (federal, estadual e municipal), deveriam pelo menos silenciar e na hora certa, talvez nas próximas eleições, apresentar propostas melhores e com elas pedir o voto do eleitorado. Temos muitos problemas que poderiam ser resolvidos com a união de forças, mas a preferência tem sido a atuação antagônica e, muitas vezes, destrutiva. Precisamos de verdadeiros líderes que sejam capazes de aglutinar  forças e com elas legar ao povo o sonhado país próspero e bom de nele viver. Chega de sinistrose!

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br   

São Paulo

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ESTAGNAÇÃO

O País está estagnado, vivendo um verdadeiro caos e a economia propicia insegurança ao progresso e desenvolvimento. Mas essa situação pode piorar. Poderá retroceder na maioria dos aspectos governamentais, se Lula da Silva governar, porque: 1) a imprensa será arrolhada e o ocultismo gerencial prevalecerá; 2) o pouco que foi privatizado e muito mais será novamente estatizado; 3) a corrupção retornará desenfreada e seremos obrigados a aceitá-la; 4) o Estado será aparelhado de forma definitiva e para que nunca mais possamos optar pelo neoliberalismo; 5) o País ficará à mercê de uma esquerda retrógrada e despreparada, desencorajando as forças produtivas de investir aqui; e 6) Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia e outros serão nossas opções de apoio e admiração. Os 4 milhões de brasileiros, que daqui saíram nos últimos anos, não são os sortudos?

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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BOLSONARO E GUEDES

O presidente Bolsonaro está com a sua saúde totalmente abalada, como resultado do atentado que sofreu. E seria muito melhor ele abdicar do cargo em favor de Mourão, que é infinitamente mais preparado e com uma visão de País há anos-luz de Bolsonaro. Bolsonaro é um incompetente e um desqualificado para o cargo. Aliás, não tem preparo para ser síndico de um prédio. Paulo Guedes é outro desqualificado. Aliás, defenestrar essa dupla do poder seria um bem para o País.

Paulo Roberto da Silva Alves

pauloroberto.s.alves@hotmail.com

Rio de Janeiro

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VACINAÇÃO DE CRIANÇAS

Ministro da Saúde, o senhor tem demonstrado algumas vezes sua insegurança e seu temor quanto à possibilidade das vacinas contra a covid fazerem mais mal do que bem, embora as evidências mundiais do seu valor, apesar de se ainda estar correndo atrás das mutações do vírus, reconheço. Permita-me lembrar-lhe o seguinte: todos os remédios são drogas, daí serem vendidos em drogarias, e quando se lê a bula de qualquer um deles tomamos conhecimento dos riscos que nos podem causar, e, no entanto, são receitados e vendidos como solução para muitas doenças. Lembro também que alguns deles podem ser tão perigosos que só são ministrados em hospitais, com médicos por perto e atentos à nossa reação a eles. Conhecendo agora o seu modo de pensar, o senhor está pensando em transferir para nós, leigos, a responsabilidade de decidir se queremos ou não tomar remédios? Faço outra pergunta: para que serve o curso de medicina, se, dependendo do caso, o médico, ainda mais ministro da Saúde, repito, ministro da Saúde, fica em dúvida se as vacinas devem ser ministradas ou não às crianças, repassando a responsabilidade para os pais, leigos, decidirem. Para que serve não só o curso de medicina, mas também o cargo de ministro da Saúde, se somos nós que, ao que parece, precisamos saber se as vacinas vão nos fazer bem ou não? Pensei que pudéssemos contar com a sua ajuda, mas parece que é o senhor que precisa de nossa ajuda. Incrível! Perdeu três semanas preciosas. 

José Carlos

jcpicarra2019@gmail.com

São Paulo

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DADOS SOBRE COVID

Após mais de um mês de os hackers terem atingido os sistemas de controle do vírus covid-19 do Ministério da Saúde, sem ter sido restabelecido até agora, fica a dúvida se não há gente interessada dentro do ministério em bagunçar os dados, para que não se consiga atacar a infecção com efetividade. Quando questionado, o ministro Marcelo Queiroga faz cara de paisagem. Chegamos a uma situação intolerável.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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AUSTRÁLIA X BRASIL

Graças ao rigor anglo-saxão adotado desde o início da pandemia,em março de 2020, a Austrália registrou um dos menores números de óbitos do planeta - 2.319 pessoas. Diante do recrudescimento da covid-19, com a contagiosa variante Ômicron se espalhando mundo afora, os cuidados continuam em pleno vigor, com a exigência de comprovação vacinal para qualquer estrangeiro que queira viajar ao país, sem exceções, qualquer que seja o status do candidato a visitante. Se o Brasil tivesse um torneio de tênis no nível de Grand Slam, certamente Djokovic seria muito bem-vindo, recepcionado em tapete vermelho na pista do aeroporto pelo negacionista e genocida presidente Bolsonaro. Como se vê, não à toa a Austrália é um país sério de Primeiro Mundo, sem jeitinhos e firulas e todos são iguais perante a lei, ao contrário do Brasil, de Terceiro Mundo, a casa da mãe Joana, de portas abertas a quem quiser vir. Bravo, Austrália! Xô, Djokovic!

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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CARTÃO VERMELHO PARA O DJOKOVIC

Que bom seria se esse pobre menino rico Djokovic fosse abordado na entrada do Aeroporto de Melbourne, Austrália, por uma legião de fãs por ter feito doações de vacinas  para milhões de crianças e adultos da África, porém não foi assim que ocorreu. O tenista, arrogante, achando que está acima da lei e das regras sanitárias daquele país, está em quarentena forçada, porque não se vacinou. Provocou um conflito internacional, a ser decidido hoje. Vamos aguardar, para mim, o cartão vermelho sairia antes, a lei é clara, enquanto isso vai o resultado. Rafael Nadal 10 x Djokovic 0.

Jose Pedro Naisser

jpnaisser@gmail.com

Curitiba

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JOE BIDEN E A DEMOCRACIA

Sem pronunciar o nome Donald Trump, o presidente americano, Joe Biden, após um ano da invasão do Capitólio, se manifestou com firmeza e suas palavras ficarão na memória até dos mais desavisados por colocar o perdedor abaixo de umbigo de cobra. Na verdade, naquela ocasião, Jair Bolsonaro aproveitou a deixa dos crimes praticados pelo seu brother e disse que no Brasil a coisa seria bem pior, caso ele não conseguisse a sua reeleição. Os brasileiros de bem esperam que Bolsonaro tenha ouvido as palavras do verdadeiro democrata Joe Biden e que pense mil vezes antes de colocar seu plano em ação. Fica a dica!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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CONTRA A IMPUNIDADE

No Dia de Reis  e após um ano da invasão e depredação do Congresso americano, o presidente Joseph Biden mandou um duro recado aos radicais trumpistas. A justiça já identificou, puniu e indiciou mais de 720 invasores e está na busca de mais 250 apoiadores de Donald Trump, responsáveis pelo maior atentado contra a maior democracia do mundo. A aplicação da lei é o maior antídoto contra a impunidade. 

Jose Alcides Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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ARTE

Morre cineasta que valorizava mestres do cinema americano (7/1, C7). Neste feliz título, Ubiratan Brasil resumiu a importância de Peter  Bogdanovich, o cineasta e crítico de cinema que mais valorizou os  grandes diretores do cinema americano. Ele fez parte de sua   renovação nos anos 70, liderada por Francis Ford Coppola, Steven  Spielberg, Martin Scorsese, Brian de Palma, George Luccas, entre   outros. Seu filme A última sessão de cinema retratou isso, em notável  homenagem ao cinema, a mais complexa e abrangente das artes.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

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