Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2022 | 03h00

Petrobras

Valores inegociáveis

Parece consenso entre todos aqueles que acompanham de perto a triste conjuntura socioeconômica de nosso país que os sucessivos reajustes nos preços dos combustíveis têm pesado no orçamento das famílias brasileiras, já tão atormentadas pela inflação galopante (alçada aos 12,2% nos 12 meses até maio), por juros acachapantes (Selic a 12,75%) e desemprego massivo (acima dos 11%). Mas reviver o assombro intervencionista do governo Dilma Rousseff na Petrobras seria similar a matar o paciente para curar a doença. Aliás, neste caso, nem sequer a doença seria curada, haja vista que políticas de controle de preços resultam tão somente em desabastecimento pela oferta e em nenhum controle inflacionário de fato – basta atentar para a situação lastimável de nossa vizinha Venezuela. Urge a discussão de propostas para amenizar os efeitos de choques externos do mercado de petróleo sobre nossa população – talvez algo similar a um fundo emergencial de suavização desses impactos. Mas a Lei de Responsabilidade das Estatais, garantindo que a petrolífera estatal brasileira seja gerida eficientemente como uma empresa privada, a paridade de preços e, em última medida, a independência de sua gestão são valores inegociáveis.

Elias Menezes

elias.natal@hotmail.com

Belo Horizonte

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Avise-nos antes

Não sei o que Jair Bolsonaro pretende fazer com a Petrobras. Ela é patrimônio de seus acionistas, entre os quais o próprio governo. O Brasil já teve de indenizar acionistas estrangeiros – numerosos, por sinal – por insanidades praticadas em governos do PT. Se Bolsonaro quer falir a empresa, não perca mais tempo, chame os dirigentes nomeados por Lula. E avise antes, para que eu possa vender as poucas ações que tenho.

Paulo H. Coimbra de Oliveira

ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

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Troca

Não é a troca sistemática da presidência da Petrobras que fará baixar os preços dos combustíveis. É necessária a troca do presidente da República. Preferencialmente pela via constitucional, para que não paire nenhuma dúvida.

Carlos Gonçalves de Faria

marshalfaria@gmail.com

São Paulo

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Eleições 2022

O muro do PSDB

Vejo que o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) está totalmente em cima do muro. O PSDB de hoje é diferente do PSDB do passado, na época em que FHC era presidente da República. João Doria renunciou ao cargo de governador para se candidatar a presidente, já que estava em seu direito, por ter vencido as prévias do partido. Agora, Doria desiste da candidatura para dar espaço a outro nome na terceira via. E o que ocorre? Ao invés de o PSDB dar o seu o.k. ao MDB e apoiar o nome de Simone Tebet, permanece em cima do muro. Nisso vejo um sinal de desrespeito aos filiados que votaram nas prévias do partido, a João Doria e ao eleitor que aguarda tanto um nome que não seja o primeiro nem o segundo colocados nas pesquisas eleitorais para a Presidência até aqui. Assim o PSDB mostra aos eleitores ser um partido sem pé no chão, fraco, incapaz de tomar uma decisão que leve esperança para a sociedade. É hora de todos se juntarem e de recuperar o tempo perdido na democracia. Se continuar como está, o partido corre o risco de perder a administração do Estado mais rico da Federação. PSDB, não jogue sua história no lixo, honre os dizeres de sua sigla.

Jader Santos

jader.leo@gmail.com

Duartina

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Segurança pública

Desastre na Vila Cruzeiro

O editorial Civilização e barbárie (26/5, A3) é sensível ao denunciar o que realmente está acontecendo nas comunidades do Rio de Janeiro, em particular. A política de extermínio de populações vulneráveis foi exacerbada nos últimos cinco anos, especialmente após a ascensão do bolsonarismo ao poder. A ausência do Estado foi ocupada por milicianos e traficantes, e combatê-los não pode se dar pelo emprego de táticas medievais. A vulnerabilidade social dali deve ser enfrentada com mais presença de políticas públicas, o tráfico coibido na origem, por meio da fiscalização das fronteiras do País pelas Forças Armadas, e o usuário tratado como questão de saúde pública. Mas tudo isso só será possível com um novo governo de natureza civilizatória.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

COBRANÇA NAS UNIVERSIDADES

Projeto na Câmara prevê mensalidade em universidade pública (Estado, 25/5, A19). Fico indignada com esse assunto. Todos pagamos impostos absurdos no Brasil. Quem é rico e honesto paga, portanto, o assunto deve relevar isso. Quem paga imposto deve ter o direito de que seu filho estude numa universidade pública gratuita.

Monica de Queirós Mattoso

mqmattoso@gmail.com

Ilhabela

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UNIVERSIDADE PAGA

Não existe universidade pública gratuita, todos pagamos. O sistema americano é mais justo, porque, para estudar, o aluno paga durante o curso ou após formado, há escola para todos e o ingresso se dá pelo mérito escolar. Demorou para aqui perceberem a necessidade.

Paulo Tarso J. Santos

ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo

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SOMBRIO QUADRO DA EDUCAÇÃO

O editorial Um quadro sombrio para a educação (Estado, 24/5, A3) é uma excelente descrição das mazelas causadas à educação devido aos excessos no fechamento das escolas. As consequências nefastas das decisões motivadas por vis interesses de alguns docentes (quiçá a maioria) e de políticos populistas (provavelmente a maioria) estão expostas claramente no editorial. Cabe porém esclarecer que a maior responsabilidade pelas perdas educativas não cabe, a meu ver, ao governo federal, e sim aos secretários de Saúde e de Educação estaduais. Esses foram os que ditaram regras e condutas tomadas no fechamento de escolas durante a pandemia.

Pedro Modesto Piccoli 

pedropiccoli87@gmail.com

Curitiba

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‘PROJETO DE NAÇÃO’

Grupo de militares prevê manter o poder até 2035 (Estado, 24/5, A10). Esse documento do Instituto Villas Bôas, com apoio dos generais Hamilton Mourão e Luiz Eduardo Rocha Paiva, revelado pelo jornalista Marcelo Godoy, é o documento mais assustador e revelador já divulgado ao Brasil desde 1988, ano da nova era da política nacional com a Constituição promulgada pós-ditadura militar. Só lendo e confiando na autenticidade de tal revelação para acreditar que militares generais pensem em conduzir a Nação a uma ditadura de cunho fascista, como resposta a uma guinada esquerdista patrocinada pelos governos petistas. O Brasil anseia por democracia ampla em governos de Estado de Direito, ideologicamente de "centro", para explicar que não há mais lugar para comunismo ou fascismo no Brasil do século 21. Passadismo doentio de um mundo totalitário está fora de questão, seja de direita ou de esquerda. Somos um País democrático e vamos aperfeiçoar nossas instituições rumo ao futuro de liberdade e paz que estamos construindo, apesar de recaídas eventuais, mas que corrigiremos nas eleições de outubro próximo. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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TEORIA E PRÁTICA

O editorial Civilização e barbárie (Estado, 26/5, A3) é uma peça jornalística irretocável, impecável, inquestionável e todos os demais "áveis" que se aplicam a uma análise teórica. Acontece que, na prática, como já se disse, a teoria é outra. No caso, a análise é feita sobre uma ocorrência numa das favelas do Rio de Janeiro, mas se aplicaria a qualquer das incontáveis favelas brasileiras. O editorialista acusa a polícia de ter agido com truculência na ação. Ora, como não ser truculento no combate a um grupo organizado de facínoras que não hesitam em agir com extrema truculência, usando seus armamentos bélicos mais poderosos do que os da polícia e infiltrados na população da comunidade que lhes dá proteção? Eis aí uma pergunta de ordem prática. O editorial, num pequeno parágrafo, tenta responder a essa pergunta prática novamente com uma recomendação teórica quando diz "uma coisa é a ação firme da polícia". O que é para o editorialista uma "ação firme"? Não é dada uma resposta prática para isso. Qualquer outra forma de agir contra esses meliantes tem que ser na mesma medida da que eles usam. Senão, a polícia fica como um lutador de boxe que recebe cabeçadas e mordidas, além de golpes "abaixo da linha da cintura", pontapés e joelhadas nos testículos e é obrigado pelos juízes (teóricos, como o editorialista) a lutar dentro das regras oficiais. Uma coisa é a truculência injustificável dos russos contra os pobres ucranianos que se defendem. Outra é aquela necessária a fazer frente a uma marginalidade cada vez maior e mais ousada que se sente apoiada pelos formadores teóricos de opinião, como no caso. A tempo e a bem da verdade, temos que reconhecer que uma operação policial de combate a criminosos traficantes perigosíssimos, que entra numa comunidade densamente povoada, conseguindo causar 22 baixas entre os marginais e apenas uma baixa, acidental, entre a população civil, foi extremamente eficiente.

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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VILA CRUZEIRO

Cena final do filme Faroeste Caboclo na Vila Cruzeiro, favela do Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, na manhã da última terça-feira, 24/5. De um lado, agentes armados até os dentes da Polícia Militar, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. De outro, o crime organizado, que reunia chefes do Comando Vermelho de diferentes Estados lá escondidos, que comandam o tráfico de drogas no País, com 24 mortos, entre eles uma mulher inocente atingida por um tiro perdido dentro de casa. Conforme o editorial do Estadão Civilização e barbárie: "Evidentemente, não se espera que policiais tratem com cordialidade criminosos que sempre se mostraram dispostos a praticar as maiores atrocidades, seja contra policiais e membros de facções rivais, seja contra a própria população que, aterrorizada, vive sob seu jugo em territórios ocupados. Mas uma coisa é a ação firme da polícia; outra, muito diferente, é a polícia se rebaixar ao vale-tudo do submundo do crime. Que bandidos ajam como bandidos é esperado. É intolerável, contudo, que policiais – justamente os agentes do Estado que deveriam personificar o triunfo das leis sobre a barbárie – ajam sob a mesma inspiração funesta dos criminosos”. Diante do final infeliz do filme de horror, cabe dizer que não se pode combater o mal com as mesmas armas. Uma operação policial que se presta a cumprir mandados de prisão não pode terminar como se o mandado fosse de extermínio e execução, por pior e mais violento que seja o inimigo também armado até os dentes. Há tempos a Cidade Maravilhosa virou terra de ninguém, inteiramente dominada pelo comando das milícias que têm como ídolo e herói o presidente Bolsonaro. Pobre Rio de Janeiro.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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QUEM APERTA O GATILHO?

Qual a reação dos americanos perante a terrível carnificina ocorrida na escola do Texas? Uma parte da sociedade quer leis mais rígidas contra o porte de armas e outra parte exige um segurança armado em cada escola. Mas estão se esquecendo do principal detalhe: quem era o jovem que promoveu o referido massacre matando aquelas crianças? Uma antiga vítima de bullying que cresceu complexada. Ele sofria bullying na escola por ser gago, o que lhe causou um certo desânimo, faltando muitas aulas, e o resultado foi a reprovação no colégio. Ainda na escola, tornou-se violento e chegou a se envolver em brigas. Sua mãe tinha problemas com o uso de drogas. Ele havia se mudado recentemente para morar com a avó, a quem também alvejou. Foram registrados 34 ataques com armas às escolas do país. Em vários casos, os autores eram psicopatas. Os que não eram, tinham outros problemas psiquiátricos. Todos sofreram bullying na idade escolar e isso teve um efeito enorme em suas vidas e em sua psique. E, em todos os casos, suas famílias não sabiam como lidar. Moral da história: urge conscientizar a todos os alunos e a todos os envolvidos com educação das consequências do bullying. Aprovar uma lei do tipo Maria da Penha para coibir a prática. Mapear as vítimas e prestar-lhes suporte. Certamente há muito mais vítimas cujas vidas foram seriamente prejudicadas pelo bullying e que não saem atirando em todo mundo, mas que carregam dentro de si as consequências disso em estado de ebulição, podendo explodir a qualquer momento.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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VALORES

Esta semana, tivemos o terrível assassinato de 19 estudantes e dois professores em uma escola do Estado do Texas, EUA. O criminoso de 18 anos foi morto pela polícia. Se fosse no Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), grupos de direitos humanos e parte da imprensa lamentariam o fato de um jovem de 18 anos, vítima da sociedade, ter sido baleado e morto. Quer apostar?

André Coutinho

arcouti@uol.com.br

Campinas

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PGR

O ex-procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, após tentativa fracassada de sabotar o governo Michel Temer, confessou ter entrado armado no Supremo Tribunal Federal (STF) para assassinar o ministro Gilmar Mendes. Há poucos dias, o não menos destemperado e atual PGR, Augusto Aras, por sua vez, esmurrou a mesa e tentou avançar fisicamente sobre um colega. Essas duas figuras deixaram e deixam muito a desejar no desempenho de suas funções e não é por acaso. Não é de procuradores espertos e valentões que a República precisa. É bem verdade que a indicação para essa posição é política, porém isso não significa que o indicado tenha que agir politicamente, menos ainda agredir alguém. Ao contrário, a função do PGR é atuar de acordo com os preceitos republicanos para preservar a própria República. Procuradores que armam arapucas, pensam em matar ou tentam bater em alguém extrapolam de longe suas atribuições. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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VAQUINHA DE PRESÉPIO

O procurador-geral da República, Augusto Aras, questionou a plataforma WhatsApp sobre a data em que será liberada a ferramenta para poder disparar, com um simples toque, a mesma mensagem para 2.500 pessoas. Lá atrás a plataforma já havia dito que poderia liberar só após o término das eleições. Na verdade, Aras, a “vaquinha de presépio” sempre de joelhos para agradar o chefe, Jair Bolsonaro, está muito preocupado com a falta de orientação, pois pretende desestabilizar as eleições com fake news. Com a palavra, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para resolver mais essa pendenga bolsonarista!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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SAUDADES DE OUTRORA

O ministro Edson Fachin, numa canetada, anulou todos os processos envolvendo o pré-candidato à Presidência Lula da Silva. Repetiu o gesto ao impedir ações policiais durante a pandemia nas comunidades do Rio de Janeiro, transformando-as em porto seguro para criminosos. Fachin, antes de ser indicado ministro, fez campanha pública em prol da reeleição da "mulher sapiens", o que comprova seus votos com viés político. Não se fazem mais ministros como os de antigamente.

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

São Paulo

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OPORTUNISTAS

Já não chega o Aécio e outros minarem a terceira via – leia-se, Simone Tebet –, agora vem Lula com conversas com FHC para que o apoie já no primeiro turno. O PSDB não pode trair tão descaradamente seus antigos eleitores atrás de cargos. A pergunta que faço é: se a situação fosse diferente, o PT apoiaria o candidato do PSDB em qualquer que fosse o turno da eleição? Duvido.

          

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo

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PRÊMIO À CORAGEM

Sergio Moro: quem vai querer imitá-lo? Quem desejará se expor contra a corrupção neste país? O PT entrou com uma ação contra Sergio Moro, estando ele para ser citado. Alega a autoria da ação que causou prejuízos aos punidos. E tudo quanto a Lava Jato recolheu aos cofres públicos? É prejuízo? A ação civil é um absurdo e não pode prosperar, mas fica a incógnita: quem desejará arriscar-se a lutar contra a corrupção e os corruptos?

José Carlos de Carvalho

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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PIADA DE MAU GOSTO

Parece uma piada, de mau gosto, a realidade dos fatos que estão ameaçados de acontecer no Brasil. Corremos o risco concreto de quebrar pela segunda vez a nossa maior empresa, a Petrobras, para devolver o dinheiro roubado para aqueles que a quebraram na primeira vez.

Abel Pires​ Rodrigues

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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SUCESSO NO TURFE

Jeane Alves quebra tabus e consolida carreira no turfe (Estado, 26/5, A23). Numa época em que grupos de proteção aos animais felizmente crescem a cada dia, causa estranheza ver uma mulher participar de vaquejadas em que muitas vezes o animal chega a ter seu rabo arrancado de modo cruel e covarde, e agora participar de corridas de cavalo em que o animal é chicoteado o tempo todo para correr, muitas vezes além de suas forças. Quem vence é o animal, mas certamente preferiria estar correndo livre pelos campos ao invés de permanecer confinado. E não adianta argumentar sobre os ótimos cuidados que recebe. Quando esses espetáculos de crueldade explícita serão banidos em nome da compaixão para com todas as formas de vida?

Vera Bertolucci

veravailati@uol.com.br

São Paulo

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