Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2022 | 03h00

2022

33 milhões com fome

Trinta e três milhões de brasileiros passam fome hoje. Enquanto 14% da nossa população não tem o que comer, os políticos ganharam R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral. A miséria dos brasileiros não é percebida pelos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e muito menos pelo presidente da República. Bolsonaro cria uma polêmica a cada dia, para desviar a atenção do fracasso de seu governo nas políticas sociais, na educação e, principalmente, na saúde. As altas taxas de desemprego e o descontrole da inflação arrasam os trabalhadores. 2022 é um ano eleitoral e o mais importante, agora, é garantir uma boquinha nas tetas do funcionalismo público, não é mesmo? A safadeza dos nossos políticos não tem limite.

José Carlos Saraiva da Costa

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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Covid-19

Notificação

Nesta semana testei positivo para covid-19 utilizando um teste comprado na farmácia. Minha primeira reação foi procurar na caixa e na bula do teste o telefone para onde eu deveria ligar para comunicar o resultado. Não encontrei. Depois de seis telefonemas a diferentes autarquias e secretarias, sou informado de que apenas médicos podem notificar. Espera-se que alguém que tenha testado positivo vá a um médico ou a um posto de saúde para notificar? Parece-me ilógico e ineficiente. Pelo que pude apurar com amigos que moram na Alemanha, em Portugal e Israel, lá números telefônicos amplamente divulgados permitem que qualquer um notifique e passe seus dados, contribuindo para as corretas estatísticas e consequentes providências.

Breno Lerner

blerner@uol.com.br

São Paulo

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Carnaval fora de época

Quer dizer que, com todo este avanço da covid novamente, a Prefeitura de São Paulo liberou o carnaval de rua em julho? Para quê? Para espalhar mais a doença, como já aconteceu este ano? Será que estão precisando tanto assim de dinheiro? Carnaval é dispensável; a saúde, não.

José Claudio Canato

jccanato@yahoo.com.br

Porto Ferreira

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Sergio Moro

Novo eleitorado paulista

Atendendo a uma petição do PT, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) revogou o registro eleitoral paulista do ex-juiz Sergio Moro em São Paulo, que jamais residiu em São Paulo. Apesar de repudiar atitudes do ex-juiz, que vem demonstrando total inapetência no trato político, como em desvios revelados enquanto magistrado, acho interessante mais uma vez perceber a fluidez da ética petista quando envolve seus objetivos políticos. No caso de Tarcísio de Freitas, o PT não viu qualquer irregularidade no registro de seu domicílio eleitoral em São Paulo, onde igualmente jamais residiu, sendo incapaz, como aquele, de distinguir Jundiaí de Campinas ou onde fica Bauru. Talvez porque, neste caso, a candidatura seria proveitosa ao dividir o eleitorado contrário a Fernando Haddad. Em tempo: será que o maranhense José Sarney sabia onde ficava o Amapá, Estado pelo qual foi senador em algumas legislaturas?

Alberto Mac Dowell Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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Evidência

O lado positivo da perseguição a Sergio Moro é que, quanto mais o perseguem, mais ele fica em evidência.

Marisa Bodenstorfer

Lenting, Alemanha

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Eleição em São Paulo

Tarcísio de Freitas

Discordo do sr. Tarcísio de Freitas (Estado, 8/6, A12) quando ele diz que “monitorar bandidos é muito mais barato e eficaz do que monitorar policiais”, ao justificar suas críticas ao uso de câmeras de monitoramento acopladas à farda de policiais em serviço. Ora, apesar de reconhecer nele um excelente administrador, sobre quem nada de desabonador se verificou até o momento – o que o qualifica para, eventualmente, ser um bom governador, se eleito –, esse tipo de declaração denota um desconhecimento primário destes assuntos. Tornozeleira eletrônica é usada para monitorar bandidos já presos; e câmeras, para proteger os policiais no momento da eventual prisão de bandidos, justificando seu eventual revide, e para proteger a população de eventuais excessos cometidos por esses policiais. Cuidado, sr. Tarcísio, com declarações que vão de encontro com a inteligência média da população.

Carlos Ayrton Biasetto

carlos.biasetto@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MINIMIZANDO A HUMILHAÇÃO

O ministro Nunes Bolsonaro Marques resolveu devolver o cargo ao deputado bolsonarista do Paraná que fora cassado, contrariando sobremaneira seus pares. Pela excrescência da sua posição, decidiu levar para a segunda turma daquela Corte para que confirmassem a sua decisão, contrária ao que ficou decidido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sua tese foi por água abaixo perdendo por três votos contrários (Estado, 8/6, A9). Pensando com a cabeça do ministro bolsonarista, em que “um manda e outro obedece”, preferiu ser humilhado por três votos a ser super-humilhado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) por nove votos contrários. Êta cabra inteligente, sô!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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SENADO MAIS RESPONSÁVEL

A Constituição reza que ministros do STF sejam escolhidos pelo presidente da República dentre cidadãos que tenham entre 35 e 65 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada. O ministro Kassio Nunes Marques notabilizou-se por ter sido escolhido por Jair Bolsonaro pelo diferencial da "notável obediência", o que acaba de cumprir à risca ao suspender a cassação do deputado Francischini alegando juridicidades que passam bem longe do saber. A decisão foi felizmente revertida pela segunda turma do STF,  porém já passou da hora de o Senado, responsável por sabatinar os indicados pelo presidente, perscrutar de fato os candidatos e não meramente referendá-los em nome de uma alegada "tradição". A indicação de Marques foi amplamente criticada por seu despreparo e por sua ligação "terrível" com Bolsonaro, e o Senado tinha todos os motivos para barrá-lo. O desastre já está feito. É tempo de prevenir outros.

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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FACHIN

Nunes Marques atropelou uma decisão tomada por ampla maioria, disse o ministro Edson Fachin ao revogar a decisão. Mas não foi isso que ele fez ao decidir sozinho pela liberdade e devolução dos direitos políticos a Lula, ignorando a decisão de juízes de três instâncias?

Só para constar, em outubro meu voto será nulo.

Marisa Bodenstorfer

Lenting (Alemanha)

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JUSTIÇA INJUSTA

Sergio Moro é o típico caso do mocinho que vira bandido num piscar de olhos e passa a ser "persona non grata" perante a Justiça. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo impediu sua candidatura no Estado para qualquer cargo eletivo por causa do seu domicílio (Estado, 8/6, A11). O interessante é que, tanto Dilma Rousseff quanto José Sarney, apesar de serem residentes e domiciliados respectivamente no Rio Grande do Sul e Maranhão, concorreram ao Senado por Minas Gerais e Amapá. Para os amigos, tudo é permitido. Para os outros, impera a lei. Este país é uma piada.

J. A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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MUITO MEDO?

A perseguição ao ex-juiz Sergio Moro não se satisfez em soltar Lula, com tudo o que sabemos que fez, e permitir sua candidatura. Agora, o TRE impede Moro de se candidatar com firulas de que ele mora em hotel, como se isso fosse crime. E os outros candidatos que não estão com casa estabelecida? É muito medo ou inveja?

Tania Tavares

taniatma@hotmail.com

São Paulo

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FARTO DE POLÍTICOS

Cheguei a uma conclusão após observar os dois candidatos mais cotados nas pesquisas. Nada de útil e proveitoso surgirá. Ambos são vazios em matéria de propostas, nada falam de aproveitável. São somente fofocas, diz que diz, difamação e ataques inócuos, tudo temperado com dose cavalar de demagogia, que em nada colaboram para a resolução dos inúmeros e enormes problemas que afligem a população. Diante disso, não acompanharei mais suas "campanhas", passando a ignorá-los totalmente, visando a preservação de minha saúde. Caso surja um(a) novo(a) candidato(a), talvez a ele ou a ela dedique alguma atenção para saber se é merecedor(a) de meu voto. Chega de votar no "menos pior".

Heleo Pohlmann Braga

heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto

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CENTRÃO

O editorial O pragmatismo do Centrão (Estado, 8/5, A3) deixa claro que, se quisermos mudar o status quo, a boa escolha do presidente da República não bastará. Muito mais importante será saber escolher os nossos representantes no Congresso Nacional. O desbaratamento da organização criminosa infiltrada na instituição que leva o codinome "Centrão" deve ser a principal providência a ser tomada pelos eleitores bem-intencionados.

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com

Vitória da Conquista (BA)

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MILITARES CONTRA BOLSONARO

O presidente Bolsonaro parece que se perdeu de vez frente à situação política e econômica do País. A cada instante toma uma decisão e volta atrás, para depois retornar à ideia anterior, voltar atrás novamente e assim sucessivamente. É o caso do reajuste de 5% aos servidores, sobre o qual teve até consulta junto aos presidentes dos outros Poderes. Doria e Zema concederam 20% e 10%, e há quatro anos os servidores federais não têm reajustes. A falta de reajustes inclui os próprios militares, pois há algum tempo Bolsonaro apenas alterou índices de gratificações de algumas patentes. Portanto, o lance agora foi arregimentar contra si os votos de três milhões de eleitores entre servidores civis, militares, pensionistas e dependentes. Evidentemente, não é com a tropa que Bolsonaro poderia impor medidas de exceção. Na condição de eleitor do presidente, já troquei meu voto. Lula deu atenção aos servidores civis e militares.

Heitor Vianna P. Filho

py1hp@yahoo.com

Araruama (RJ)

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AMAZÔNIA

A família de milicianos que assumiu a Presidência do Brasil não tem interesse em que jornalistas escrevam a respeito do banditismo que invadiu a Amazônia. Tudo o que acontece lá é ação do crime organizado porque o investimento dessa invasão é muito alto, não é coisa de bandido mixuruca. É evidente que as buscas pelo jornalista Dom Phillips e pelo indigenista Bruno Pereira começaram com muito atraso e com má vontade. É mais um jornalista e seu parceiro que estão sendo assassinados porque não interessa a Bolsonaro que saibamos da extensão desse assalto que está acontecendo com o apoio dele.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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PSICANÁLISE

Em A Psicopatologia da Vida Cotidiana, livro de 1901, Sigmund Freud, pai da psicanálise, abordou o ato falho, crença reprimida no inconsciente que vem à tona de forma involuntária. “Foi sem querer, querendo”, diria o Chaves. O presidente Bolsonaro, quando tratou o sumiço na região amazônica do repórter britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira como “uma aventura que não é recomendada”, expressou, involuntariamente, uma preocupação com sua obsessão maior, o golpe militar.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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DEFESA DO INDEFENSÁVEL

O Estadão publicou uma entrevista com o ex-conselheiro da Camargo Corrêa, empresa que floresceu em um ambiente de corrupção (‘Lava Jato não levou em conta o know-how das construtoras', 8/6, B10). Do seu confortável apartamento em Londres, esse pobre senhor lamentou que a empresa onde ocupava cargo que tinha responsabilidade legal idêntica àquela do presidente do grupo teve de vender ativos para sobreviver. De acordo com esse personagem, a Lava Jato foi a grande vilã da economia. Criou desemprego e perda de know-how. Como se o País fosse o grande perdedor das ações julgadas na Justiça federal. Que cara de pau! Quer saber? Para a Camargo Corrêa e seus administradores, ficou barato. Estivéssemos em um país sério, as companhias corruptoras estariam todas solenemente quebradas para que o exemplo servisse para o restante do mercado, que cansou de ver a impunidade escancarada no Brasil. Não se enganem, o espaço deixado por essas empresas no mercado seria rapidamente ocupado pelas empresas médias, que nunca conseguiram quebrar o muro corruptor jogando dentro das quatro linhas das regras de mercado, e esse espaço só seria factível de execução através da contratação do corpo técnico das grandes empresas. É exatamente o corpo técnico que detém know-how, e não as companhias. Know-how são pessoas, e não logomarcas de construtoras corruptoras. Desemprego? Teríamos aumento de emprego no setor. Mais emprego, mais dinheiro para a saúde, educação e segurança, e menos corrupção. Mas, enquanto o velho Brasil ainda respirar, continuaremos a ver personagens como esse defendendo o indefensável.

Oscar Thompson

oscarthompson@hotmail.com

São Paulo

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DASLU EM LEILÃO

Como num conto de fadas sem final feliz, a história da trajetória da Daslu em mais de uma década passa da construção de um império de luxo de marcas estrangeiras de vestuário e afins para a derrocada, com a massa falida posta à venda em leilão (Estado, 8/6, B16). Como se sabe, o auge do sucesso foi atingido em 2005, quando da inauguração com pompa e circunstância da Villa Daslu, num majestoso edifício de R$ 100 milhões erguido na Marginal Pinheiros com nada menos que 700 funcionários, grande parte da equipe composta por vendedoras-socialites apelidadas de "dasluzetes". Em seguida, teve início a derrocada, quando o castelo de areia começou a ruir logo após a prisão de sua fundadora, Eliana Tranchesi, por sonegação fiscal e contrabando, seguido do pedido de recuperação judicial e falência, em 2010, com uma dívida milionária de R$ 80 milhões. Sic transit gloria mundi.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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MOBILIDADE

Uma nova mobilidade desejável e tão necessária só é possível em cidades e sociedades que estejam minimamente preparadas e disponíveis para esse futuro. Nossas leis e a organização administrativa de nossas cidades são obsoletas, lentas, ineficientes, absolutamente desconectadas até com realidades já passadas. Até o melhor dos administradores é obrigado a lidar com cada um dos inúmeros e insolúveis problemas cotidianos de forma pontual e isolada de um contexto mais abrangente. Não conseguimos sequer resolver o problema crônico dos semáforos, como pensar um futuro de novas mobilidades? A nova mobilidade que se apresenta no planeta só dá resultados com populações que têm bom nível educacional para compreender o que é cidade, suas possibilidades e seu uso mais apropriado: a vida coletiva, democrática. Educação é um dos nossos graves problemas crônicos. Baixo senso de coletividade e civilidade são consequências desse buraco sem fundo na educação. Por outro lado, as propostas para as novas mobilidades estão intimamente ligadas ao perfeito funcionamento dos sistemas de energia e comunicações, o que também não ainda temos funcionando a contento e, pelo andar da carruagem, vai demorar para ser resolvido. Antes de pensar nas mobilidades do futuro, urge que se resolva o caos primário em que vivemos todos dias em nossas cidades. Básico do básico: veículos elétricos são projetados para rodar em asfalto civilizado, ou seja, liso, sem um buraco depois do outro. Semáforos têm que funcionar. Começamos muito mal a partir desse básico. Sonhar não faz mal a ninguém, mas do jeito como estão nossas cidades, sonhar com novas mobilidades não passa de delírio. Temos de parar de sonhar e realizar com qualidade. Como diz um dos textos do bom caderno Mobilidade do Estadão: "Entre os desafios apontados estão a falta de estrutura e a necessidade de repensar o planejamento urbano". Planejamento urbano? Qual, das construtoras? Não são desafios, são urgências urgentíssimas. Está aí o nó da nossa democracia, vê quem quer. A qualidade da cidade, assim como a qualidade da educação, são a base para a ordem e progresso, paz, segurança e equidade que tanto se deseja. O resto (tudo) vem junto. Aliás, não existe escola de qualidade sem um entorno de qualidade, ou seja, a cidade. Simples assim.

Arturo Alcorta

arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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IPÊS EM BRASÍLIA

A chegada dos ipês coloridos deixa Brasília ainda mais bela, alegre, amorosa e cativante. O ipê branco abranda a alma. O amarelo encanta corações. O roxo alimenta esperança. O ipê lilás exorta a paz. Os pés de ipês são recheados de dignidade. Suas folhagens saúdam o amanhecer. O aroma dos ipês tem a pureza dos sentimentos. Embalam o cotidiano e embelezam o sol. Quando as folhas começam a cair, os ipês partem para nova missão: juntam-se ao barro para arar e semear a vida eterna.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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SUBNOTIFICAÇÃO FORÇADA

Um comentário a respeito da subnotificação de autotestes de coronavírus mencionada na matéria Covid avança em 24 Estados e no DF e casos dobram em duas semanas (Estado, 7/6, A17). Após mais de dois anos usando máscara e saindo com extrema parcimônia de casa, contraí a doença. No sábado, 28 de maio, senti os sintomas, e no domingo fiz o autoteste, que confirmou o contágio. No próprio domingo busquei algum site para notificar o resultado positivo, mas na embalagem havia apenas um QR code que remetia para o manual de uso do teste, mais nada. Minha mulher ligou na farmácia onde o teste foi adquirido e foi informada de que eles não realizavam aquele tipo de operação. Tentei pelo aplicativo CoronavírusSUS no celular, mas conduzia a uma página morta. Após alguma busca pelo Google, cheguei a um endereço do Ministério da Saúde onde poderia colocar um resultado positivo, mas não do autoteste, esse não era aceito, apenas os feitos em laboratório e laudados por um laboratorista. Como os sintomas não eram muito debilitantes, decidi entrar em contato com a telemedicina do meu plano de saúde e ficar em casa isolado para não sobrecarregar o sistema de saúde e não arriscar contagiar alguém. Quando me senti melhor, no dia 6 de junho, achei melhor passar por um médico que solicitasse um exame para poder ser contabilizado nas estatísticas. Liguei no Hospital Samaritano, o mais próximo de casa, e fui informado de que eu poderia até passar por um clínico geral, mas eles não estavam pedindo o exame. Decidi, então, ir a uma Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e passei por uma médica clínica geral que solicitou o exame. Para minha surpresa, o exame era o mesmo do autoteste, que fornece o resultado sem passar por um laboratorista, e como já era o 10.º dia desde os primeiros sintomas, o resultado foi negativo para covid, o que impossibilitaria qualquer notificação. No final das contas, não vou entrar para as estatísticas, mas não por falta de tentativas: o sistema de autoteste foi criado para ser impossível de se notificar resultado. E não só eu. Aqui em casa fomos quatro contaminados. Na minha opinião, cada kit de teste deveria ter um número de série único, e o CPF do comprador cadastrado a ele no ato da venda. O comprador deveria ter um prazo mínimo para informar o resultado do teste através do envio de uma foto em que se visse o número de série do kit. Isso não é difícil de se implementar. Mas não será, afinal, a subnotificação impede mais o aumento de casos do que a vacina, não é?

José Alberto Sadeck dos Santos

zecasadeck@yahoo.com.br

São Paulo

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